ISSN 2359-5191

15/03/2000 - Ano: 33 - Edição Nº: 01 - Educação - Instituto de Estudos Avançados
Relatório do IEA defende a Universidade Pública

São Paulo (AUN - USP) - A longa greve ocorrida nas Universidades Estaduais, reinvindicando melhores salários para professores e funcionários, chama a atenção para um assunto que há algum tempo já vinha sendo discutido: a questão da universidade pública no Brasil. Em função dessa discussão, foi organizada no Instituto de Estudos Avançados (IEA) por solicitação do reitor da USP, a chamada Comissão de Defesa da Universidade Pública. Formada por membros do corpo docente da universidade, a comissão se reuniu entre os meses de fevereiro e maio para levantar dados e aprofundar o debate conceitual, elaborando, por fim, um documento com dados que defendem o ensino público.

Segundo foi apurado, as universidades públicas possuem uma importância primordial na elaboração de pesquisas que levariam a avanços em setores como saúde, tecnologia e economia. Estudos que não trazem benefícios imediatos e diretos, como os ligadas à área de humanas, não são atrativos para o capital privado, tendo poucas condições de sobreviver sem os investimentos públicos. O documento levantou outros exemplos nos quais as universidades públicas unidas ou não a outras instituições, como o Instituto Butatan, foram essenciais na elaboração de projetos de pesquisa que trouxeram importantes benefícios sociais. É o caso do desenvolvimento da vacina contra a hepatite B ou do Projeto Genoma.

A Comissão atentou também para a inegável qualidade do ensino público superior, sendo esta comprovada pela exposição dos resultados do Provão, no qual os cursos das universidades públicas obtiveram boas notas. Outras avaliações de cursos, como a do Guia do Estudante, só reafirmam a alta qualidade de ensino.

Foi estabelecida ainda uma comparação do ensino no Brasil com o de outros países, principalmente os EUA, com informações que esclareceram melhor como funciona o modelo de ensino desse país e por que a adoção de seu modelo no Brasil não seria adequada.

O relatório fornece dados que acabam por destruir os discursos daqueles que acusam a universidade pública de ser uma instituição cara, elitista e corporativa, ressaltando os benefícios sociais pelos quais ela é responsável e fornecendo argumentos consistentes contra sua privatização. A cobrança de mensalidades afastaria os pobres da universidade, enquanto os ricos permaneceriam nela. Além disso, sendo as universidades públicas financiadas pelos impostos, estabelecer uma mensalidade seria cobrar da sociedade duas vezes pelo mesmo serviço.

O documento na íntegra está agora disponível no site do IEA : http://www.usp.br/iea

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