Na última terça-feira (3) foi exibido pela primeira vez no centro social da comunidade da Nova Jaguaré o documentário Vila Nova Jaguaré. A produção retrata o último período de reurbanização da favela Nova Jaguaré, que aconteceu entre 2011 e 2013. O vídeo acompanhou o processo de reurbanização do local e também foi resultado de uma pesquisa comandada pesquisadoras Maria de Lourdes Zukin e Yvonne Mautner, do Núcleo de Apoio a Pesquisa, Linguagem e Ambiente Construído (Napplac), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP).
A ideia da pesquisa surgiu de uma curiosidade das professoras, que se deu quando ministravam uma disciplina juntas. Durante uma aula de um palestrante convidado da Sabesp, ficou visível que as concessionárias de água, luz e gás não estão aptas para lidar com a infraestrutura da favela. “Há uma dificuldade. Não há cultura técnica e construtiva para levar a água para as comunidades”, disse Yvonne. Assim, elas pensaram em fazer o documentário como resposta. “A infraestrutura na cidade [locais menos desfavorecidos] é dada. Você nasce abrindo a torneira da sua casa.” De acordo com Yvonne, há uma cidade subterrânea que existe para que todos esses serviços possam existir e nas áreas desfavorecidas, em que essa estrutura não é feita de maneira regular, não há um conhecimento de como atuar. “Mas isso está começando a ser feito, graças a iniciativas públicas.” A partir da década de 2000, o número de investimentos para urbanizar áreas de assentamentos precários aumentou e isso foi fundamental para dar continuidade a pesquisa.
Para fazer o levantamento de dados e recuperação de documentos de intervenções anteriores na Vila Nova Jaguaré, as pesquisadoras contaram com a ajuda de três estudantes envolvidos no trabalho, além da colaboração da Prefeitura da cidade de São Paulo e do IPT (Instituto de Práticas Técnológicas). Vale ressaltar que o vídeo é uma parte do trabalho. “O documentário é uma peça, retrata o período final de urbanização da Nova Jaguaré”, diz Maria de Lourdes. O roteiro foi feito pelas pesquisadores e de maneira inconvencional. “O roteiro foi um aprendizado. Ele foi feito em conjunto com a captação de imagens e não antes”, completa.
É importante ressaltar que o laço do Napplac com a comunidade Nova Jaguaré não tem caráter extensivo, mas de pesquisa. “Estamos analisando o quadro de todos os envolvidos no processo de intervenção”, disse Maria de Lourdes. Os envolvidos no projeto não entrevistaram apenas lideranças dos moradores, mas ouviram todos os lados necessários para que haja uma urbanização - arquitetos, engenheiros, atuantes da prefeitura, Sabesp, empreiteiros, entre outros.
O Napplac nasceu com o objetivo de unir os três departamentos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - tecnologia, história e projeto -, que antes não possuíam pesquisas intercambiais. O núcleo procura estabelecer diálogo com as áreas que tem a infraestrutura precária. O primeiro passo da pesquisa foi estudar e acompanhar o processo de reurbanização da favela Nova Jaguaré. O próximo é fazer estudos comparativos com as políticas públicas de outras cidades, como Belém, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outros locais da América Latina
Mais informações
Página do grupo de pesquisa: http://www.usp.br/fau/pesquisa/napplac/
Acesse o documentário: http://www.fau.usp.br/intermeios/pagina.php?id=308