São Paulo (AUN - USP) - O painel “o que é democratizar a comunicação em tempos de globalização e revolução tecnológica da informação?” do Seminário Internacional Latino-americano de Pesquisa da Comunicação, realizado no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP às 16h na última sexta-feira, abordou diversas soluções para alcançar a democracia nos meios de comunicação.
O primeiro dos pesquisadores a se apresentar foi o brasileiro Gustavo Gindre, da Universidade Federal Fluminense, que apontou a problemática do processo de convergência das empresas de comunicação. Estas, segundo ele, estão sob o poderio de poucos conglomerados ao redor do mundo devido a transnacionalização do capital, enfraquecendo os contornos nacionais.
A legislação brasileira caminha na contramão desse cenário, separando de forma brusca as leis de telecomunicações das leis de radiodifusão. Essa postura foi ratificada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e negligenciada por Lula, como atesta Gindre, um dos idealizadores do programa de comunicação não realizado pelo atual governo. Ele alerta ainda, sobre a necessidade de se atualizar as leis relativas à comunicação a fim de se adequar ao novo contexto internacional.
Nancy Díaz Larrañaga, pesquisadora da Universidad Nacional de La Plata da Argentina, define que é possível democratizar mesmo na globalização e na revolução tecnológica e que a solução está em acreditar nas micro utopias (a valorização das culturas locais respeitando as particularidades dos processos comunicacionais). Segundo ela, a democratização da comunicação não se dará sob diretrizes e legislações generalistas, pois a malha social de hoje difere daquela que existia há 25 anos na qual os planos eram feitos segundo a ótica das macro utopias dessas leis gerais relativas às empresas.
É preciso valorizar a comunicação face a face respeitando a subjetividade e os “espaços culturais” para democratizar de fato a comunicação. “Não se pode apenas informar, mas é preciso informar um saber crítico”, afirma Nancy.
O terceiro e último palestrante, o mexicano Octavio Islas do Instituto Tecnológico de Monterrey, coloca a internet como a atual solução para a questão proposta pelo painel. Ele dá o exemplo das oito metas, a serem alcançadas até 2005, propostas pela ONU, as quais podem chegar ao sucesso desejado contando com o auxílio de campanhas via internet. Uma delas é a proposta da Austrália de educar as mulheres pela rede interativa.
Ele aponta que o 11 de setembro, no entanto, interferiu gravemente nesse processo, pelo menos nos EUA, país cujo presidente George W. Bush tem atualmente uma relação conflituosa com os empreendedores de comunicação. Essa relação foi agravada depois do “USA Patriotic Act”, que controla as informações da rede interativa. Islas coloca a atuação dos comunicadores como primordial a fim de continuar o processo de democratização via internet em todos os países, numa luta contra esse controle dos governos.