São Paulo (AUN - USP) - “Nós não somos apocalípticos em relação à TV. O que queremos é que comecemos a vê-la com outros olhos.”A frase da palestrante Jozélia Tanaka ilustra com precisão a linha seguida pelo encontro do grupo de discussão Como democratizar a Comunicação na Televisão?, um dos nove que compõem o III Seminário Internacional Latino-Americano de Pesquisa da Comunicação, promovido pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, entre os dias 12 e 14 de maio.
Os palestrantes desse GD defenderam, em linhas gerais, que a televisão tem um grande potencial para democratizar a informação, mas que seu perfil deve ser modificado para que consiga atingir esse objetivo com êxito.
Alzimar Rodrigues Ramalho, palestrante da Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), falou a respeito das TVs universitárias, sob o título de “A participação do acadêmico de Comunicação Social na produção de conteúdo das TVs universitárias”. Ela ressaltou a importância da experiência prática durante a Universidade, para que o futuro profissional exerça sua função com mais propriedade e responsabilidade. “Quando você põe a mão na massa, você consegue mais facilmente fazer uma leitura crítica do que vê e consertar algumas coisas”, afirmou. Para mostrar o resultado dessa proposta, após a exposição foram exibidos trechos de dois trabalhos veículados na TV FEMA, realizados por alunos de jornalismo e publicidade da Fundação.
NA exposição seguinte, Jozélia Tanaka – da Universidade Estadual de Londrina – falou sobre um projeto de educação para e com a mídia televisiva realizado pela Secretária Municipal de Educação com professores do Ensino Fundamental da cidade. Por meio de palestras e encontros, os professores são orientados a desenvolver atividades com seus alunos a fim de formar uma leitura crítica da televisão. Ela explicou que, para conseguir analisar o conteúdo exibido na TV, e assim formar tal leitura, “é fundamental que o telespectador conheça quais são os elementos considerados pela TV para atraí-los”. E são esses os elementos que o projeto tenta desmistificar e mostrar a seus participantes.
A última fala ficou por conta do coordenador do GD, César Bolaño, da Universidade Federal do Sergipe. Em sua exposição, César procurou analisar o papel que a Globo tem no mercado de TV, e fez uma crítica ao “centralismo” que ela possui. “A concentração da divulgação do conhecimento impede o desenvolvimento da capacidade criativa de outros atores sociais”, afirmou. O coordenador sugeriu ainda mudanças no formato dos três tipos de TV. Para ele o sistema comercial deve ser de alguma forma regulado para que garanta diversidade em sua programação; o sistema público precisa sofrer uma mudança que garantisse maior acesso e formas de autonomia na produção; e o sistema público-privado deve ter garantia de recursos financeiros e humanos para suas produções.