São Paulo (AUN - USP) - Formas independentes de produção e de difusão compuseram a pauta da sessão 2 do grupo “Como democratizar a comunicação no cinema e vídeo?”. A discussão realizada ontem no auditório Paulo Emílio foi coordenada pelos professores Ana Maria amado, da universidade de Buenos Aires, e Carlos Vallina, da Universidade Nacional de Quilmes. Contou com a apresentação dos trabalhos de Graziela Kunsch, mestranda em cinema pela USP, de Nestor Daniel González, da Universidade de Quilmes, e de Cynthia dos Santos, também da USP.
Aberta com uma sessão de provocativos curtas-metragens que tinham como tema a reação à hegemonia exercida pela Rede Globo sobre os meios de comunicação, a exibição do paper de Graziela Kunsch expandiu a discussão além da produção de cinema e vídeo, fazendo perceber como todas as mídias precisam dessa democratização e de como, no Brasil – por conta das próprias políticas governamentais para comunicação, e da presença das grandes corporações – essa carência é visível.
Entre os vídeos, todos produções de coletivos e de livre reprodução, está o registro da manifestação feita por estudantes de comunicação para a modificação do nome da avenida Jornalista Roberto Marinho para jornalista Wladimir Herzog, mostrando a ação violenta e excessivamente agressiva da policia militar diante não só dos manifestantes como da imprensa. Outro curta mostra a exibição, diante do ministério da justiça, do documentário “Além do Cidadão Kane”, uma crítica ao império da Rede Globo na mídia, proibido no Brasil desde 1993. Em meio aos mais incisivos, foi mostrado, ainda, um vídeo do bastidor da matéria feita pelo repórter Brito Júnior para o SPTV, sobre a exposição “A revolução não Será televisionada”. Na gravação, aparece a interferência da equipe de reportagem nas obras de arte: pretendia-se retirar de uma das instalações a figura de Gugu Liberato, que apareceria inevitavelmente na imagem. Sempre no curta-metragem, diante das reclamações da artista e da coordenação do evento, o repórter se exaltou e os agrediu verbalmente. A intenção era mostrar que a matéria produzida, mesmo depois do desentendimento, distorceu as intenções da exposição. Todos os vídeos – que de maneira geral apresentaram ótima qualidade – têm o apoio para difusão do CMI, o Coletivo de Mídia Independente do Brasil, organização ligada aos coletivos indymedia internacionais.
Após a exibição dos filmes, falou-se do trabalho do CMI, que consiste na publicação on-line de reportagens em texto, ensaios, documentários e vídeos produzidos independentemente por qualquer pessoa, e conta com a participação de colaboradores de todo Brasil, sustentando-se com doações e trabalho voluntário, mantendo-se sem vínculo com patrocinadores. A difusão de tudo que é publicado no site é livre, desde que se cite a fonte e o autor. É o sistema batizado de Copyleft, em oposição aos direitos autorais Copyrigt. Foi incentivado o uso do Software gratuito Kino Vídeo Editor para e edição digital dos vídeos, que pode ser baixado ou copiado gratuitamente.
O segundo trabalho apresentado, de Daniel González, relatou o processo de transformações ocorridas no cenário audiovisual argentino nas ultimas décadas, em direção à concentração e à privatização dos meios públicos de comunicação. Em virtude disso, houve uma queda nas produções cinematográficas e o fechamento de salas. O trabalho comenta o crescente consumo de produtos em vídeo importados, estimulados pela grande atuação da tv paga no mercado argentino.
O terceiro e último paper apresenta uma solução direta para o problema citado no anterior: o Cine Vídeo Latino, projeto exposto por Cynthia dos Santos, pretende criar uma rede entre a produção cinematográfica e seu publico nos paises latino-americanos, promovendo circuitos alternativos de exibição, como universidades e espaços públicos, incentivando o intercambio da produção desses paises.
Para mais informações sobre as soluções apresentadas nos papers, os participantes do grupo divulgaram seus contatos: brazucahproducoes@yahoo.com.br, sobre o Cine Vídeo Latino, e os sites http://www.midiaindependente.org e http://www.indymedia.org, que direcionam para endereços dos colaboradores do CMI.