Está em cartaz, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), a mostra temporária Crônica: o tempo à prova, à prova do tempo. A exposição tem entrada gratuita e pode ser visitada até o dia 3 de julho. Nela, estão reunidos documentos de cronistas, livros raros do acervo e objetos relacionados à temática das crônicas, criando assim uma narrativa entre o gênero literário e os acontecimentos do dia-a-dia.
Em um ambiente intimista, encontram-se livros e correspondências pessoais de autores como Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade. Junto a cada livro há um trecho em destaque onde o próprio autor conta, de alguma maneira, o que é a crônica. Existem ainda quatro caixas que constroem um verdadeiro universo sobre assuntos recorrentes no gênero: “para mamãe”, “aniversários”, “notícias” e “miudezas”. Além das cartas pessoais dos cronistas, as caixas contam com objetos e fotos que se relacionam aos temas.
João Cardoso, especialista em pesquisa da BBM, foi o responsável pela escolha da temática da mostra. Para ele, a crônica “é um termo literário muito especificamente brasileiro” e, por isso, merece um destaque especial. Já a expografia, ou seja, a proposta de ambientação da mostra, que explora a conexão da crônica com o cotidiano, foi pensada por Júlia Contreiras, bolsista de design.
De acordo com Cardoso, além da expografia, o próprio nome da mostra enaltece essa relação. Enquanto “o tempo à prova” remete ao tempo do cronista e às criticas que ele faz aos fatos, “à prova do tempo” dialoga com a permanência desse gênero (que surgiu nos jornais e depois passou para os livros) em nosso universo de leitura. Para ele, a crônica é um bom caminho de entrada para esse meio. “É uma leitura leve, mas não leviana, que tem poder de formação do leitor”, afirma.