ISSN 2359-5191

01/07/2014 - Ano: 47 - Edição Nº: 33 - Ciência e Tecnologia - Instituto de Física
Com dez anos, projeto da Física Nuclear da USP amplia pesquisa
Objetivo do grupo é focar em reações de fusão nuclear
Equipamento do projeto Ribras (Grupo de Reações Diretas e Núcleos Exóticos)

O projeto Ribras (Radioactive Ion Beams in Brazil), que completa dez anos em 2014, focará agora nas reações de fusão entre núcleos. O Ribras é parte de uma estrutura ainda maior no Instituto de Física (IF) da Universidade de São Paulo (USP): o acelerador Pelletron. "Para se produzir uma reação nuclear, é preciso vencer a força de repulsão elétrica entre os prótons dos núcleos que colidem e, para isso, é necessário um acelerador. No IF, temos um acelerador Pelletron, que é capaz de fornecer energia para vencer essa repulsão e produzir reações nucleares", afirmou o coordenador do sistema Ribras, Rubens Lichtenthaler Filho. 

Desde sua implantação, vários estudos foram realizados no sistema, entre os quais se destacam o dos núcleos exóticos do lítio-8, do hélio-6 e do berílio-11. “Estas pesquisas permitiram”, de acordo com Lichtenthaler, “um estudo sistemático da força nuclear em núcleos exóticos”. Nucleos exóticos são isótopos dos elementos conhecidos que possuem excesso ou falta de neutrons em relação aos elementos estáveis. 

As pesquisas mais atuais dão conta da reação de fusão nuclear, que possui grande importância para a astrofísica nuclear, uma vez que muitas das reações que se dão nas estrelas são desse tipo. Quase a totalidade da energia recebedia pela Terra vem do Sol e é produzida em reações de fusão, nas quais quatro prótons fundem-se para formação do nucleo de hélio. “Os elementos pesados - como o carbono, oxigênio e ferro - que existem na natureza são produzidos em reações nucleares no interior das estrelas. Pretendemos estender a capacidade do sistema Ribras para realizar esses estudos de fusão”, concluiu.

Desde o início, o projeto contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que foi responsável pela compra do equipamento e atualmente também financia a aquisição dos insumos necessários para a manutenção do sistema, sobretudo o hélio líquido, responsável por resfriar os solenoides supercondutores do RIBRAS a uma temperatura de 5K (kelvins), o equivalente a -268 ºC.

Além disso, o grupo de Reações Diretas e Núcleos Exóticos, que coordena o projeto Ribras, possui parcerias com outros instituições de ensino, como a Universidade de Sevilha, na Espanha, onde foram realizados cálculos com resultados obtidos recentemente no IF, assim como o Laboratório Ganil, na França, Riken, no Japão, e a Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. “Agora, o trabalho científico é feito no contexto de colaborações nacionais e internacionais entre diferentes grupos de pesquisa, cada qual especialista na sua área”, concluiu.

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