ISSN 2359-5191

29/10/2014 - Ano: 47 - Edição Nº: 76 - Educação - Universidade de São Paulo
Bibliotecas lutam contra “Idade das Trevas” da era digital
Redimensionamento do papel das bibliotecas no século 21 foi abordado em palestra
Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin realiza evento sobre curadoria digital

A escassez de registros, de armazenamento e de preservação de conteúdos são alguns dos problemas enfrentados pelas bibliotecas atualmente. A quantidade de dados não armazenados é enorme, comparando-se apenas a época da Idade Média, onde não havia interesse em armazenar conhecimento. O evento Curadoria Digital: redimensionando o papel das bibliotecas na era da informação, realizado pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin no último dia 20, procurou buscar soluções para esse problema. Afinal, se não conseguirmos armazenar essa informação hoje, ela estará perdida para sempre.

O palestrante foi Aquiles Alencar Brayner, curador digital das coleções latino-americanas da British Library, em Londres.  O tema da palestra era repensar o papel da biblioteca no século 21 a partir do universo digital, bem como analisar as novas plataformas digitais utilizadas pela British Library e que poderiam ser vistas como sugestões para a própria Brasiliana. “A biblioteca acadêmica hoje passa a ter uma função dentro da área da pesquisa. Antes ela era vista somente como repositório de informação, hoje é vista principalmente como facilitadora da pesquisa em seu acervo”, explicou Aquiles.  

O cenário digital está em constante mudança, já que a tecnologia avança dia após dia, tornando-se obsoleta muito rapidamente. Aproximadamente 75% da informação produzida em formatos digitais desaparece ou é alterada todos os anos. Além disso, boa parte desse conteúdo é produzido e editado apenas digitalmente, não sobrando grandes registros dos primeiros manuscritos do autor em questão. “Essa mudança faz com que a biblioteca perca muito conteúdo, já que não é migrado de um sistema ao outro. Temos que pensar em soluções para os formatos de arquivos que já não podem ser lidos. Outro problema é o grande número de informação produzida somente em formato digital que desaparecem a cada ano. A biblioteca está preocupada hoje em guardar essa informação através de plataformas na web. Se ela mudar ou desaparecer do universo online, nós vamos ter como acessa-la a partir da biblioteca”, contou o palestrante.

Um problema atual extremamente frequente, não somente com as bibliotecas mas com o universo de produção de conteúdo no geral, é a falta de esclarecimento sobre os direitos de uso e proteção da privacidade dos usuários. “A biblioteca tem lutado muito contra esse mito de que toda a informação está disponível, de maneira aberta e gratuita. Quando o Google surgiu, houve uma preocupação a cerca da amplitude da biblioteca. Sabemos que instrumentos de buscas são totalmente desenhados para uma função muito mais comercial do que informativa. A questão é que a biblioteca nunca foi tão importante quanto agora, já que está assumindo a função de mostrar aos usuários como lidar com o universo digital. O comportamento que observamos hoje está completamente fora das regras de copyrights. Então como podemos educar esse usuário a utilizar o conteúdo porém de maneira inteligente e não indo em contra a essa regra?”, contesta Aquiles.

A biblioteca do século 21 é apresentada durante a palestra como um laboratório para os usuários, já que ela própria desenvolve plataformas digitais para um melhor e mais dinâmico acesso aos objetos do acervo. Umas delas é a Carta Magna, um dos tesouros da British Library. Aquiles explica o funcionamento dessa plataforma britânica: “O interesse na carta é muito mais educacional, então desenvolvemos artigos, imagens do próprio objeto e de relacionados na página. O que nós temos visto, por exemplo, é que escolas dizem nunca ter visto nada desse nível. Se você tem só um livro sobre a Carta Magna, ele vai ser sempre estático, enquanto a nossa plataforma oferece para o estudante toda uma mobilidade para conseguir realmente ver o objeto a partir de vários ângulos, e também o que outras pessoas escreveram sobre ele”.

Aquiles finaliza a palestra com algumas sugestões referentes à curadoria. Para o Laboratório Digital da USP, sugeriu a fomentação de projetos colaborativos. Já para Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, aconselhou a extensão do acervo digital, a criação de um programa de identificação e  digitalização de acervos e plataformas de visualização múltiplas de objetos e um espaço colaborativo para pesquisadores.

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