Alexandre Martins, mestrando do Instituto de Matemática e Estatística da USP, criou um sistema que parece fazer mágica: com pouquissímos materiais, qualquer parede ou mesa se torna uma “tela” sensível ao toque. Nomeado de Tangible Beats, o projeto também permite a criação de música utilizando apenas tampas de canetinhas coloridas.
Em resumo, o Tangible Beats é uma instalação interativa e colaborativa que possibilita a criação de ritmos musicais, em tempo real, por meio da manipulação de peças coloridas numa mesa. Junto com o professor Carlos Hitoshi, Martins criou uma maneira lúdica para que usuários de todas as idades criem, intuitivamente, seus próprios padrões musicais.
“Normalmente a gente pensa em interagir usando dispositivos como mouse, teclado ou telas touch”, afirma Alexandre. É aí que seu mestrado entra: “como que seria a interação com os computadores se eles estivessem permeados, espalhados pelo ambiente?”, questiona o rapaz.
O design do projeto foi inspirado no conceito da caixa de música. Com o uso da tecnologia, eles podem estender o conceito. “Projetamos um tabuleiro numa mesa. Em cada casa do tabuleiro, o usuário pode colocar uma peça colorida, de modo a codificar uma música. Temos, assim, uma representação visual e tátil que é fácil de entender e de manipular”, diz Alexandre. Os artefatos coloridos são tampas de canetinhas, daquelas que você usa para escrever em CDs e DVDs. Cores diferentes são mapeadas para instrumentos diferentes, e a posição das tampas determina sons mais graves ou mais agudos, bem como a localização deles no tempo. Uma linha de escaneamento percorre o tabuleiro, de modo a tocar a música nele codificada. O mesmo sistema é usado para projetar um mapa em qualquer superfície plana e torná-lo sensível ao toque.
O próximo (e último) passo da pesquisa de mestrado é explorar como podemos usar as canetinhas como dispositivo de interação 3D em ambientes de realidade virtual. Para isso, eles estão concebendo uma "varinha mágica": uma canetinha vai ganhar funcionalidades que vão muito além da escrita.
Confira o vídeo: