ISSN 2359-5191

19/01/2015 - Ano: 48 - Edição Nº: 01 - Sociedade - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
“Praias paulistanas” encarecem regiões de agitação cultural
Paradoxalmente, socialização do espaço urbano gera novos e múltiplos conflitos

Você já foi à praia em São Paulo? Apesar de não estar situada no litoral, a capital paulista tem espaços de convívio, com cadeiras e mesas dispostas em meio a bares e restaurantes, que insere peculiares relações de socialização em regiões inteiras.

São áreas com complexas e adversas relações entre cidadãos, onde a agitação cultural integra a população e incomoda vizinhos, muitas vezes fugindo da fiscalização do poder público ou não conseguindo amparo no mesmo para driblar a influência do mercado.

Mesmo sem contar com areia e mar, essas regiões são, poeticamente, “praias” para o pesquisador Francisco Saes, engenheiro civil e mestre em urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP com a dissertação Quando a rua vira praia   mesas de rua, onde decidiu abordar a complexidade do que entende como “a transformação da cidade em espaço mercadoria” a partir do desenvolvimento urbano intenso.

Foco na Vila

Saes conta que definiu o tema de seu estudo “vivendo a cidade e observando  o lazer paulistano no enclave de bares e suas mesas de rua”, e defende que toda iniciativa que vise a socialização do espaço público é bem vinda em uma “metrópole marcadamente conduzida pela ideologia da automobilidade.” Apesar de elogiar iniciativas recentes da Prefeitura, como as “praias urbanas” recém-instaladas no centro da cidade (mas apenas “homônimas” do objeto de estudo do pesquisador), sua pesquisa tem um enfoque claro: o bairro da Vila Madalena, na Zona Oeste da capital, onde ele viveu com sua família a partir dos anos 1960.

Ali, o pesquisador observa o que chama de “atividades locais supralocais”, em que moradores e visitantes convivem conflituosamente devido à transformação singular do local a partir de estudantes, ateliês, lojas alternativas e casas noturnas que fizeram da Vila uma “cornucópia cultural”, dando-lhe a fama de bairro “descolado” com forte apelo da mídia. Para Saes, esses fatores “extrapolaram os limites” da região e geraram tensões, em meio a interesses diversos (como a especulação imobiliária, que hoje "expulsa" os antigos ocupantes do bairro em situação financeira desfavorável), que precisam ser apaziguadas.

Direitos do morador

Para realizar a dissertação, o pesquisador entrevistou diversos moradores da Vila Madalena, entre comerciantes, empresários do setor imobiliário, moradores e ex-moradores. Apesar de ser favorável ao surgimento das “praias” como formas de socialização, ele também defende com veemência a participação do poder público, o respeito às leis instituídas e a formação de consciência entre os cidadãos, de forma que as diferentes partes conheçam seus direitos, respeitem o próximo e venham a criar, por toda a cidade, novos e generosos lugares de festas e socialização.

Leia também...
Agência Universitária de Notícias

ISSN 2359-5191

Universidade de São Paulo
Vice-Reitor: Vahan Agopyan
Escola de Comunicações e Artes
Departamento de Jornalismo e Editoração
Chefe Suplente: Ciro Marcondes Filho
Professores Responsáveis
Repórteres
Alunos do curso de Jornalismo da ECA/USP
Editora de Conteúdo
Web Designer
Contato: aun@usp.br