Uma dissertação de mestrado, realizada por Luana Antoneto Alberto, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP), buscou estudar as áreas arqueológicas com registros rupestres no Estado de São Paulo. Afim de refletir sobre os fatores da escassa bibliografia, documentação e registro deste tipo de sítio e analisar a razão da inexistência de áreas abertas à visitação para a sociedade, a pesquisadora buscou catalogar sistematicamente estes pátios, gerando dados para pesquisas futuras, bem como propor um modelo de musealização, baseado nos conceitos da Sociomuseologia, área disciplinar que investiga a articulação da Museologia com as áreas das Ciências Humanas.
A base inicial do levantamento referente aos sítios rupestres do Estado de São Paulo foram os estudos de Rafael A. Souza (2006) e Zanettini Arqueologia (2007), os quais deram origem a um mapa deste tipo de sítio para o Estado. A partir dos dados apresentados, foi realizada uma ampla pesquisa documental abrangendo estes sítios, seus pesquisadores e as regiões em que se localizavam no Estado, buscando aprofundar esse conhecimento e localizar novos possíveis sítios desta categoria.
Para a pesquisadora, a investigação documental foi crucial para a compreensão dos contextos das pesquisas e seus objetivos, além de fornecer muitos dados inéditos. Um exemplo é o caso das anotações originais realizadas por Guy-Christian Collet sobre o Sítio Rupestre Casa de Pedra, localizado no município de Itararé, assim como os documentos originais das pesquisas sobre os sítios rupestres Abrigo das Furnas, Abrigo Catingueiro e Santo Antônio — parte do acervo da USP cedido pela professora Marisa Coutinho Afonso, que participou destas pesquisas juntamente com Maria Cristina Oliveira Bruno, orientadora de Luana.
Outro caminho foi a visita a locais onde havia notícias da existência de registros rupestres. Algumas destas notícias se confirmaram, como o caso dos sítios rupestres Fazenda Ibicatú, localizado em Pirajú; Morro do Trem, em Timburi e São Joaquim em São João da Boa Vista. Outros locais foram indicados para aprofundamento das pesquisas, como a Caverna Temimina, dentro do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, no município de Apiaí.
Segundo Luana, as análises realizadas “levaram à compreensão de que a musealização da arqueologia pode ser feita de várias maneiras, com diversos objetivos e, principalmente, com disponibilidades financeiras nem sempre ideais, considerando o mesmo caráter técnico e profissional realizado nos museus”. A pesquisadora destaca que o mais importante na dissertação foi entender a necessidade dos profissionais da Arqueologia reconhecerem os diversos olhares possíveis para este tipo de patrimônio e aceitarem variados tipos de intepretações: “os olhares do público e dos pesquisadores são diferentes, cada um tem sua compreensão e contribuem para dar conteúdo à elaboração de discursos possíveis e alternativas de exposições desses patrimônios, ressignificando-os”.
Questionada sobre a possibilidade de extrapolar sua proposta à outros sítios arqueológicos, em outras regiões do país, Luana aponta que apossibilidade de extrapolar o projeto para outros sítios seria o ideal e necessário, pois a preservação deste patrimônio envolvido com a sociedade seria mais eficaz.Porém,“a política nacional infelizmente ainda deixa de lado estes bens, que ficam na maioria das vezes a mercê de instituições privadas, de associações de moradores ou pessoas preocupadas com a preservação destes locais”, completa.