“Ubíquo (adjetivo): que está ou pode estar em toda parte ao mesmo tempo; onipresente”. Esta é a definição do dicionário Michaelis que caracteriza o caminho que museus, galerias e instituições culturais estão percorrendo na atualidade. Isto segundo a dissertação de mestrado de Heloísa Pinto Ururahy, intitulada “Museus na internet do século XXI: a caminho do museu ubíquo”. Em seu trabalho, a pesquisadora fala sobre o papel da internet na mudança das relações entre museus e indivíduos. Se antes o contato humano com o museu acontecia de forma física, com a internet as relações tornam-se também virtuais.
Segundo Heloísa, no começo dos anos 90, quando a difusão do uso da internet pela população mundial estava em seu início, o contato virtual entre museu e indivíduo era através dos sites das instituições. Porém, o avanço tecnológico da world wide web permitiu que as páginas oficiais servissem como uma plataforma de difusão, produção e exposição da arte: “A investigação propõe que essa nova forma de comunicação pode unir o alcance das plataformas virtuais, a credibilidade de grandes centros artísticos e a força dos processos colaborativos de criação em rede, para ampliar a propagação da arte e da cultura”, diz a autora.
A pesquisa aponta que a partir dessa nova relação do museu com o visitante — ambos podendo estar em qualquer lugar do mundo —, houve uma sensação de diminuição do espaço e do tempo. Em qualquer hora do dia, o visitante pode ter acesso ao museu de seu interesse (ou a obra que está exposta nele), mesmo que ele se encontre em outro continente. Um exemplo é o Museu do Louvre. Se antes um cidadão de São Paulo tinha de atravessar o oceano para estar em Paris e visitar o Louvre — considerando as despesas de viagem —, agora, em poucos cliques, ele pode conferir mais de 35 mil obras do acervo da instituição.
Para Ururahy, isso causou uma maior difusão do alcance da arte na população. Hoje é possível conferir performances artísticas, debates ou conferências sobre o tema a qualquer distância, diversificando também a forma de se expor arte, seja qual for o material artístico: uma escultura, um quadro, uma cerâmica ou uma pessoa: “Há um crescente esforço em suprir as necessidades culturais dos novos espectadores da era conectada da internet”. Com esse novo tipo de interação entre sociedade e arte, novas formas de criações vão se desenvolvendo.
A nova ligação entre o indivíduo e as instituições culturais — via websites, redes sociais e mídias móveis — permitiu que além de receptor, o visitante tornasse a ser também emissor, participando por vezes do processo criativo. Heloísa diz que o papel dos museus atuais, sejam eles virtuais ou físicos, é o de reconstrução e também construção da cultura, em conjunto com a população.
Porém, pontua que as instituições devem ter a preocupação com a responsabilidade social, sem que a possibilidade de interação da sociedade com a cultura fique apenas nas vias da difusão, produção e exposição. “Eles devem enfrentar desafios que incluam o reaquecimento do espaço público urbano, o favorecimento da apropriação social das novas tecnologias de informação e o fortalecimento da democratização dos meios de comunicação", completa.