Ao completar 3 décadas, o projeto de pesquisa Pré-História e Paleoambiente na Bacia do Paraná e Pré-História e Paleoambiente no Mato Grosso monta uma exposição itinerante. Em uma parceria entre o MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia) da USP (Universidade de São Paulo) e o MNHN (Museu Nacional de História Natural de Paris), a exposição “Pelos Caminhos da Cidade de Pedra: 30 anos de pesquisa arqueológica” dura de 13 de março a 8 de julho de 2015 no MAE.
A pesquisa
O projeto teve início na década de 1980, na região da Bacia do Paraná, a partir de uma associação com os principais centros de formação em Arqueologia do Brasil e de uma parceria entre Brasil e França. No total, ao longo das três décadas de pesquisa, em torno de 500 alunos passaram pelo campo.
Esse processo arqueológico se dá, basicamente, em quatro etapas: a prospecção da área a ser estudada, ou seja, o mapeamento dos locais a serem escavados; o resgate, que consiste na escavação em si para encontrar artefatos arqueológicos; o monitoramento, no qual os relatórios e o andamento da pesquisa são avaliados e estudados; e, por fim, a educação patrimonial, que, nesse caso, consiste na exposição.
Durante o projeto de pesquisa da Cidade de Pedra, mais de 80 mil peças de acervo foram encontradas. A datação mais antiga constatada pelos pesquisadores foi de 10 mil anos atrás. E, a partir daí, toda a história de um povo pode ser identificada.
Em 1989, o projeto passou a ser realizado somente no Mato Grosso, mudando, assim, o nome da pesquisa para Pré-História e Paleoambiente no Mato Grosso.
Em 2013, quando o projeto completou 30 anos, foram realizados dois seminários científicos: um em Rondonópolis (MT), por ser na região que concentrou os trabalhos da última década, e outro em São Paulo, para levar esse conhecimento para uma população não familiarizada com essa região. Ambos foram seguidos por exposição.
A exposição
O objetivo da exposição, quando ainda em Rondonópolis, era fomentar a discussão científica no local onde esses sítios arqueológicos se encontram, com as comunidades inseridas nele. Por um lado, o discurso científico da arqueologia, e, por outro, o “de quem está lá, que tem um sítio desse no seu quintal, o discurso de quem cresceu vendo essas pinturas rupestres”, segundo a Professora Verônica Wesolowski, pesquisadora do MAE e uma das curadoras da exposição. Assim, como articular esses múltiplos discursos como maneiras diferentes de acesso ao conhecimen
A exposição é baseada em dois eixos: o que é o fazer arqueológico e qual é a história desse local estudado. O primeiro, voltado para a formação: “o que é arqueologia, o que um arqueólogo faz, como ele faz e como é que essa formação se dá dentro de um projeto de pesquisa”, explica Verônica. E o segundo é o “falar sobre o conhecimento produzido, sobre a história indígena, sobre a história dos povos que ocuparam e ocupam essa região”.
Partindo de um ambiente culturalmente apropriado, tanto pelos povos que já passaram por lá quanto os que lá ainda residem, e que, portanto, “está marcado por uma simbolização desses grupos”, faz-se uma discussão sobre a ocupação desse espaço.
A exposição é formada por um conjunto de painéis móveis com fotografias, ilustrações, mapas e infográficos que retratam esses trinta anos de pesquisa arqueológica. Além disso, todos esses painéis são acompanhados por textos didáticos, que frequentemente terminam em um conjunto de perguntas, fazendo com que o consiga se questionar e refletir a respeito do que a exposição busca contar. E também existem três estações de peças do acervo obtido durante o projeto na região da Bacia do Rio Paraná. Urnas funerárias, utilitários de cerâmica e adereços são os principais destaques. Além disso, visitas guiadas educionais, folder didático e atividades interativas são pontos fortes da exposição.