São Paulo (AUN - USP) - Unir educação e lazer, fazendo das visitas aos museus um hábito e um programa prazeroso para a garotada é o que pretende Eleida Pereira de Camargo em sua dissertação de mestrado, defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. O objetivo de sua pesquisa é propor aos museus brasileiros a utilização de brinquedos ou jogos temáticos que possibilitem a assimilação do acervo pelas crianças.
Premiada em um concurso promovido pela FAU em parceria com a FIESP com dois projetos lúdicos, Eleida explica que escolheu este tema para sua tese, pois “a criança e a cognição humana” sempre foram assuntos do seu interesse. “Há muitos anos pensei até em ser pediatra”, confessa. A partir da graduação em Desenho Industrial pela FAAP, ela decidiu direcionar sua carreira para o público infantil e para a área educacional.
Estudando o tratamento dado ao público infantil em três museus paulistanos: Museu de Arqueologia e Etnografia (MAE), Museu de Arte de São Paulo (MASP) e o Museu de Arte Contemporânea (MAC), a pesquisadora constatou que as três instituições trabalham com a intenção de mudar o senso comum de que o museu é um lugar de coisas velhas e intocáveis. O MAC é ressaltado na tese por oferecer periodicamente vernissagens mirins em exposições especialmente curadas para o público infantil. Em uma dessas exposições especiais, foi produzido um material impresso com propostas de atividades para os jovens visitantes. As crianças recebiam, por exemplo, recortes reproduzidos de obras de arte e deveriam circular pelo museu, observando atentamente a exposição com o objetivo de encontrar a obra da qual fora retirado o fragmento. Posteriormente elas eram estimuladas a produzir seus próprios desenhos.
Ampliando seu estudo para o quadro internacional, Eleida aborda alguns casos europeus que se diferenciam dos museus brasileiros principalmente por terem seus serviços de monitoramento e educação terceirizados. O Museu D’História de la Ciutat, em Barcelona, por exemplo, tem todo o material de apoio desenvolvido por empresas especializadas em jogos pedagógicos. As atividades práticas são aplicadas por monitores contratados – remunerados por hora – e especializados em arqueologia, história ou história da arte. As despesas geradas por estes serviços são repassadas às escolas que os solicitam. No entanto, essa terceirização segue diretrizes e critérios definidos e supervisionados pelo departamento educativo do museu.
A utilização de objetos temáticos já faz parte do cotidiano de vários museus paulistas. Porém, essa utilização tem, em primeiro lugar, a finalidade de dar às instituições um retorno financeiro. Portanto, são objetos criados para o consumo e não para a educação. É fácil constatar que, muitas vezes, as “lojinhas” de museus fazem mais sucesso que as próprias exposições.
Eleida propõe a exploração da atividade lúdica dentro dos espaços museográficos, tornando acessíveis às crianças conteúdos aparentemente densos. Dessa forma, conclui, “é possível despertar a consciência do patrimônio e o hábito prazeroso da visita aos museus no público infantil”.