ISSN 2359-5191

17/06/2015 - Ano: 48 - Edição Nº: 51 - Sociedade - Instituto de Estudos Brasileiros
Sesc TV realiza série de programas em parceria inédita com a USP
Projeto, iniciado na universidade, entrevista figuras que contribuam para a interpretação do Brasil contemporâneo, como o rapper Emicida e a geneticista Mayana Zatz
Trecho da abertura de Pensar o Brasil. Alguns episódios já estão disponíveis no canal do IPTV/USP. Crédito: reprodução.

Uma série de programas audiovisuais que entrevista músicos, agrônomos e antropólogos. Entre eles, é comum o pensamento e a atuação de destaque em suas áreas. Outras personalidades de mesma alcunha, do mundo acadêmico e de outras esferas culturais e sociais, também estão presentes. O projeto Pensar o Brasil, surgido no cinquentenário do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP), em 2012, combina essas figuras na busca de novos pontos de vista e de novos intérpretes sobre o Brasil contemporâneo. Entre seus desdobramentos, está a parceria com o Sesc TV, inédita na USP, originando a série Galáxias.

O professor Jaime Oliva, responsável pelo projeto no IEB, afirma que “as entrevistas de Galáxias já foram realizadas e o projeto está em fase de finalização”. O Instituto aguarda o lançamento formal da iniciativa pelo Sesc. A nova série mantém em grande parte a concepção original do IEB, esforçando-se para os programas irem além do campo de especialidade do entrevistado, numa abordagem interdisciplinar e intercultural. No Sesc TV, a combinação inusitada de personalidades também continua: o rapper Emicida e a bióloga e geneticista Mayana Zatz estarão lá, junto ao sociólogo Jessé Souza, atual presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por exemplo. Compõem também a “constelação” de vozes do programa Galáxias o líder indígena Ailton Krenak, o cineasta Kléber Mendonça e o ativista do Movimento Sem Terra Jaime Amorim. Personalidades notórias como o economista e ex-ministro da Fazenda Bresser Pereira e o premiado arquiteto Paulo Mendes da Rocha também foram entrevistados.

Para Jaime, a parceria com o Sesc TV “elevou o nível técnico e a qualidade visual dos programas”. Ele explica que o IEB ainda é responsável pela escolha dos entrevistados e pela elaboração das perguntas, enquanto as demais etapas de realização cabem à entidade. “Os episódios do programa do Sesc serão temáticos, sem apresentadores ou entrevistadores, com um mosaico de opiniões dos entrevistados sobre um mesmo assunto”, diz Jaime. Originalmente, a série audiovisual do Instituto realizava a entrevista com apenas um convidado por programa, e havia entrevistadores na mediação.

Todo o material da série Galáxias será repassado ao IEB, o que possibilita novos usos e a realização de diferentes trabalhos a partir do acervo. Para Jaime, a parceria com o Sesc TV pode ser um avanço, se considerada “a queixa, que precisa de mais detalhes, de que a USP vive muito entre seus muros, com uma precária conexão com o mundo que a sustenta”.


Parceria na USP

Outra vertente da série Pensar o Brasil é a parceria com o  Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) da ECA/USP. Iniciada há alguns anos, a colaboração permite que o IEB, responsável pela elaboração das entrevistas, faça uso dos estúdios e da infraestrutura do CTR para a realização do programa. Alguns episódios da série, que despertaram o interesse do Sesc TV, já estão disponíveis no canal online do IPTV/USP, como as entrevistas com o filósofo Vladimir Safatle e com a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz.

Jaime afirma que atualmente o CTR está reeditando as primeiras entrevistas de Pensar o Brasil, feitas numa colaboração já encerrada com a TV Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) e nunca disponibilizadas ao público. Entre os entrevistados dessa antiga etapa estão a antropóloga Eunice Durham; o geógrafo Pedro Pinchas Geiger; o escritor indígena Daniel Munduruku e o professor e músico José Miguel Wisnik. Desde seu início, fica claro o objetivo do projeto de dar voz a múltiplos atores, em atividades e posições muito diferentes na sociedade, que tenham pontos de vista relevantes a serem explorados.


Planos futuros

Novas gravações da série ainda vão ocorrer neste ano, no CTR. O coordenador Jaime Oliva explica os planos futuros do projeto, que tenta um financiamento junto à Fapesp. “Nossa intenção é reunir um grupo de alunos bolsistas para auxiliar na produção e pesquisa conceitual do conteúdo do programa, e outro grupo para receber treinamento audiovisual. Isso é importante para a formação estudantil”, diz ele. Outro conjunto de bolsistas fará um trabalho pedagógico com a série Pensar o Brasil. O intuito é oferecer o material a escolas públicas de nível fundamental e médio, por intermédio de um site. Serão feitos guias pedagógicos, com sugestões para os professores de como fazer uso das entrevistas em sala de aula. O público em geral é também um possível público-alvo.

Jaime reforça que “ninguém está impedido de desenvolver produtos acadêmicos convencionais a partir da série, como artigos e livros. A ideia é tornar o material o mais amplamente livre possível”. Para ele, "o IEB tem por função contemporânea, entre outras, atualizar a interpretação do Brasil, algo que está na origem da instituição".

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