ISSN 2359-5191

05/08/2015 - Ano: 48 - Edição Nº: 69 - Saúde - Faculdade de Saúde Pública
Repetição de cesárea tem maior proporção em hospitais privados
Pesquisa indica relação entre as cesarianas nos estabelecimentos privados e um maior incentivo ao parto normal no SUS
Hospitais privados possuem maior índice de repetição cesarianas mesmo com recomendações contrárias || Fonte: ALBANE NOOR / BSIP - G1

Segundo declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS), o objetivo principal da atenção ao parto é manter a saúde de mulheres e recém-nascidos,  com o mínimo de intervenções médicas possíveis. Contudo o que se têm observado em São Paulo é justamente o contrário. Buscando entender o número crescente de cesarianas no estado, Karoline Brunacio  realizou um estudo sobre o histórico de repetição desse tipo de parto. A pesquisa indicou uma maior proporção de repetição de cesáreas em hospitais da rede privada de saúde, e uma parcela pequena, porém importante, de partos vaginais após uma primeira concepção por cesariana em estabelecimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo Karoline, os dados encontrados demonstram como as ações públicas em saúde, que seguem as recomendações da OMS, se refletem com mais força no SUS: “No setor público as ações do Ministério da Saúde têm impacto direto, diferente do que acontece no Setor de Saúde Suplementar (SSS). Há ainda bastante cesárea nos hospitais públicos, porém com uma proporção menor que nos hospitais privados”, explica.

Embora dentre 100 mulheres com cesárea anterior, apenas 15 tenham seus bebês por parto vaginal, este parece ser um fato relevante no setor. Apesar disso, sua realização continua sendo pouco realizada, pois o tradicionalismo acaba, na prática, sobrepondo as evidências de que o parto vaginal após uma cesárea pode ser adequado. Brunacio ressalta que não há proibição para a realização de parto vaginal pós-cesárea, contanto que haja um acompanhamento intensivo durante a gestação e trabalho de parto: “Quanto maior o número de repetição de cesáreas, maior o risco de morbidade materna, então vale a pena evitar repetir a cesárea”, completa.

Uma evidência do menor incentivo a esse tipo de parto no atendimento privado pode ser visto nos horários em que as cirurgias são realizadas: nos hospitais privados os partos ocorrem com maior frequência durante o dia e ao longo da semana. Esses fatores sugerem que as cesarianas são previamente agendadas de acordo com a conveniência do médico, e não como procedimentos utilizados em último recurso como é recomendado. “Além de gerar maiores riscos para a mãe e para o bebê, essas intervenções desnecessárias geram gastos elevados com saúde pública, por conta de internação, medicamento, demanda de profissional”, explica a pesquisadora.

Além desse fator, sabe-se que existe uma diferenciação na jornada de trabalho dos profissionais da rede pública e privada: nos primeiros estabelecimentos o médico cumpre um horário fixo, no qual ele precisa estar presente independentemente da mulher estar parindo ou não. Diferente do que, muitas vezes, acontece no setor de saúde suplementar, onde o profissional atende apenas no momento em que o bebê for nascer, situação que pode influenciar na decisão de agendamentos: “Os médicos não querem sair à noite nem de final de semana pra atender a gestante, então eles já marcam e convencem a mulher de que essa é a melhor opção”, explica Brunacio.

Para reverter esse quadro, a pesquisadora acredita ser fundamental um maior investimento em políticas públicas tanto no setor público como no privado, para aumentar a porcentagem de partos vaginais já alcançadas e levar essa mentalidade também para o setor suplementar, onde ainda é incipiente.


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