Sabe-se que, após a realização de exercícios aeróbicos, o corpo, como efeito protetor, diminui os valores da pressão arterial, mas uma pesquisa desenvolvida na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, quis avaliar se havia diferença no abaixamento em exercícios realizados pela amanhã e à noite. Verificou-se que a pressão diminuía mais de manhã, mas segundo o pesquisador Leandro Brito, esses dados ainda precisam ser melhor verificados, em um estudo mais amplo.
Leandro explica que a ideia de sua pesquisa, que fez parte da sua dissertação de mestrado, era avaliar a resposta da pressão arterial após uma sessão de exercícios aeróbicos em bicicleta. Segundo ele, os níveis de pressão diminuem quando se termina de fazer um exercício em relação com o que se tinha antes de começar – é a chamada hipotensão pós-exercício. O que ainda não era muito claro era se em algum horário do dia esse benefício seria maior do que em outros. “Basicamente, o que nós vimos é que, se você faz exercício de manhã, parece que esse efeito hipotensor do exercício é maior do que quando se faz à noite”, explica.
Para tentar entender por que isso acontecia, o pesquisador se debruçou sobre outro ponto, a resposta hormonal pós-exercício. “São inúmeros hormônios que regulam a pressão arterial, então nós avaliamos alguns deles”, conta, completando que um deles, o vasopressina – ligado com o controle do volume sanguíneo – não se alterava após os exercícios matinais, mas aumentava à noite. “Isso pode ter colaborado para haver uma menor queda da pressão arterial quando esse exercício era realizado à noite”, conclui.
A pesquisa foi feita com apenas uma sessão de exercício. A pessoa ia ao laboratório quatro dias diferentes, duas de manhã e duas à noite, sendo que em uma delas ela realizava o exercício e em outra não. O pesquisador alerta para isso, destacando que não é possível ainda se tirar grandes conclusões. “Esse estudo foi realizado apenas com uma sessão de exercício, então ele nos dá um horizonte, mas agora no meu doutorado a gente está estudando um período de treinamento físico para poder afirmar com mais ênfase”, conta.
No doutorado, serão quatro grupos de pessoas diferentes. Dois deles fazendo exercícios – um de manhã e outro à noite – e outros dois como “controle”, ou seja, que vão ao laboratório nesses períodos, mas não fazem exercícios. "Assim poderemos saber se fazer exercício em tal hora é realmente diferente, ou então se essa diferença até existe quando eu faço uma vez só, mas depois de um período de treinamento físico ela some e não muda nada”.
O pesquisador está estudando homens de 30 a 60 anos, hipertensos, e que estejam em uso de medicamentos, desde que não tenham sofrido algum evento cardíaco, como infarto, ou já tenham doença cardíaca conhecida, como insuficiência, por exemplo. “Se alguém estiver interessado, pode procurar a gente”, diz Leandro.