ISSN 2359-5191

30/05/2001 - Ano: 34 - Edição Nº: 09 - Sociedade - Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
IAG e MAE abalam modelo de ocupação nas Américas

São Paulo (AUN - USP) - O IAG (Instituto de Astronomia e Geofísica da USP) e o MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia) estão juntos em um projeto que está traçando o perfil do homem pré-histórico do Vale do Ribeira e pondo em cheque as teorias sobre a chegada do homem ao continente americano.

O projeto temático da FAPESP Aplicação de Métodos Geofísicos em Estudos Arqueológicos, utiliza métodos geofísicos na análise de sambaquis (sítios arqueológicos pré-históricos formados por amontoados de conchas e cadáveres) no Vale do Ribeira e vem obtendo resultados surpreendentes. Uma das mais importantes descobertas diz respeito à idade dos sítios arqueológicos. Análises mostram que alguns deles têm cerca de 10 mil anos, o que joga por terra a teoria aceita até pouco tempo de que o homem havia chegado ao continente Americano a partir do norte há 12 mil anos. É totalmente inviável pensar que os homens pudessem ter chegado em apenas 2 mil anos ao litoral brasileiro. Como conta o coordenador do projeto no IAG, professor Carlos Mendonça, “isso abala totalmente os modelos de ocupação nas Américas”.

Outra descoberta importante, obtida através do método de detecção de magnetismo, é que alguns sítios estão cercados por rochas, como se fossem escorados. Isso leva a crer que havia uma preocupação em preservar o sambaqui e, se for dessa forma, o homem pré-histórico não era tão nômade quanto se pensava.

As escavações também revelaram cadáveres cobertos por ocre, uma rocha de cor avermelhada e não muito fácil de ser encontrada. Para que os corpos pudessem ser envoltos por uma quantidade tão grande de ocre que está pressente até hoje, foi preciso que os homens percorressem grandes distâncias e sacrificassem muito de seu tempo para achar a rocha, o que demonstra que o sepultamento era um ritual de muita importância.

Segundo o professor Carlos Mendonça, o projeto é inovador. Sua equipe “está tentando aplicar técnicas inéditas no Brasil mas já usadas na Europa, como o mapeamento magnético e radioativo”.

O objetivo é estudar todos os 40 sambaquis do Vale do Ribeira casando métodos arqueológicos e geofísicos. O projeto foi iniciado há um ano e meio e nesse tempo já foram estudados 2 sítios arqueológicos, um em Cajati e outro em Miracatu. A previsão é que os estudos prossigam por mais 2 anos e meio, mas, pela quantidade de sítios a serem analisados, é bem provável que o projeto seja prorrogado.

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