São Paulo (AUN - USP) - “É limpa, não muito cara e só traz alguns problemas”, é assim que o professor Jesus Berrocal, do IAG (Instituto de Astronomia e Geofísica) da USP caracteriza a energia nuclear. Ele considera a utilização desse tipo de energia a melhor saída para o Brasil não passar por outras crises energéticas como a de agora.
Seu último trabalho publicado é uma análise sismológica da região de Angra dos Reis, feita para o projeto de construção da Usina Angra 3. O professor garante que, no que se refere a abalos sísmicos, a região é mais do que segura. E complementa dizendo que a utilização de energia nuclear é inevitável, pois o potencial hidrelétrico do país já foi quase totalmente esgotado.
Os únicos problemas que as usinas nucleares trazem são o lixo e a possibilidade de o reator ser danificado e ocorrer um vazamento de radiação. Porém, essa última possibilidade é bem remota, já que as usinas brasileiras são bem conservadas e é muito difícil que ocorra algo como um avião cair sobre a usina. Para o problema do lixo, o professor já tem a solução. Segundo ele, o mais correto seria construir reservatórios para os resíduos nucleares e esperar que eles percam toda sua radioatividade, o que leva cerca de 200 anos, “mas o Brasil tem espaço de sobra para armazenar bastante lixo”, complementa. Ele diz que logo não haverá mais rios disponíveis para a construção de hidrelétricas e que o problema é a falta de esclarecimento e o preconceito que as pessoas têm contra a energia radioativa “se os países mais desenvolvidos utilizam energia nuclear, porque nós não podemos usar?”.