São Paulo (AUN - USP) - As vendas de passagens aéreas e pacotes turísticos através da Internet têm crescido em ritmo acelerado, abalandoas agências tradicionais de viagens e a indústria do turismo como um todo. A dissertação de mestrado em administração de empresas “Internet, um canal de vendas: um estudo de caso em agência de viagens e turismo online” analisa a reestruturação por que está passando esse segmento da indústria. O trabalho foi defendido na FEA em maio.
Com base em expressivas quedas da bolsa eletrônica Nasdaq, a imprensa disseminou a “lógica” de que empresas pontocom não são lucrativas. Apesar disso, as agências de turismo e companhias aéreas que encararam o desafio do uso da Internet como canal de vendas têm obtido bons resultados. Em 1999, a indústria norte-americana do turismo movimentou, apenas pela Internet, US$ 7 bilhões. Serão US$ 20 bilhões em 2001, ou cerca de 8% do total de vendas de viagens.
De acordo com Alexandre Costa, autor da dissertação, o sucesso obtido pelas agências de turismo na rede mundial de computadores deve-se, em grande parte, ao caráter do produto que negociam. Como essas empresas vendem não algo tangível, mas um serviço - viagens aéreas, locação de automóveis, estada em hotéis ou pousadas, cruzeiros, expedições, passeios ou eventos -, toda a informação a ele referente pode ser digitalizada. A distribuição do produto também é facilitada. A passagem aérea, por exemplo, não requer a emissão do bilhete, bastando uma senha fornecida ao cliente. O custo dessa distribuição pode ser reduzido a quase zero.
Nota-se aí um grande impacto causado por esse canal de vendas: a intermediação, na forma como ocorre nas agências tradicionais, passa a ser desnecessária. Porém, “as companhias aéreas que atuam online ainda não repassaram ao cliente a economia de 6 a 8% no preço da passagem”, constata Alexandre. Esse é o valor pago à agência de viagens – intermediadora – como comissão, no caso da venda e distribuição tradicionais.
Como mais da metade do faturamento da maioria das agências de turismo brasileiras advém da venda de passagens, a ausência de intermediação pode ser preocupante. Para contornar o problema, as próprias agências têm que criar seus sites, usando a Internet como um canal alternativo de vendas.
Além das companhias aéreas, também os hotéis e as locadoras de automóveis estão começando a dispensar o intermédio das agências. Não é à toa que, afora as empresas brasileiras desse setor, suas companheiras norte-americanas também têm sentido dores de cabeça. De acordo com pesquisas realizadas com agências de viagens dos EUA, 67% afirmaram que perderão cerca de 10% de seus clientes em favor das vendas realizadas diretamente entre consumidores e fornecedores de produtos turísticos via Internet, até o ano 2002.
A euforia com relação à Internet pode ter sido fortemente abalada pelas falências decretadas por “apressadinhos”, crentes na representação da rede como o pote de ouro no fim do arco-íris, mas ela continua ameaçando os que a negligenciam, e recompensando os que aprendem a utilizá-la, como comprova a indústria do turismo.