São Paulo (AUN - USP) - Compact Disks com capacidade várias vezes maior e uma grande economia de energia. Essas podem ser as conseqüências da utilização de um processo que está sendo estudado no Instituto de Física da USP.
Trata-se do LED (sigla em inglês que significa diodo emissor de luz) que emite a cor azul. A cor que este componente fotoelétrico libera depende do material de que é feito. Somente eram conhecidos os materiais que emitem as cores vermelha, amarela e verde, até a descoberta do material que emite azul.
Descobriu-se o material, mas não se sabe o motivo porque ele emite essa determinada cor. Aí entra a pesquisa da USP, que está sendo realizada no Departamento de Física dos Materiais, no Laboratório de Novos Materiais Semicondutores.
Existem várias teorias sobre este fenômeno, mas nenhuma oferece uma explicação plenamente satisfatória até o momento. Isto acontece pois a descoberta do material foi feita por um pesquisador japonês de uma maneira que não levou necessariamente à compreensão do processo. Nem o próprio cientista responsável pela descoberta tem uma explicação segura.
O entendimento deste processo físico dentro do Brasil evitará grandes despesas com direitos de patentes neste ramo tecnológico, que será importantíssimo nos próximos anos, principalmente por estar ligado simultaneamente à indústria da informação e à economia das fontes de energia.
No primeiro caso, vê-se que todos os aparelhos de som existentes hoje em dia utilizam no processo de gravação e leitura o laser vermelho. As características do laser azul permitem que, se for usado em vez do vermelho, aumente muitas vezes a capacidade de armazenamento dos CDs atuais e demais dispositivos de memória que funcionam com laser.
Basicamente, isto acontece porque a luz azul (uma onda eletromagnética) tem comprimento de onda muito menor que a vermelha. Como o tamanho ocupado pela unidade de informação é diretamente proporcional ao comprimento de onda, verifica-se que a capacidade de armazenamento aumento na mesma proporção da razão entre o comprimento de onda do laser azul em relação ao vermelho.
No segundo caso, é sabido que hoje em dia a principal fonte de energia utilizada, o petróleo, está perto do fim, o que implica na necessidade de economizar energia. Isso se dará com o desenvolvimento da luz branca gerada por laser, que justamente é possível com o desenvolvimento da cor primária em laser azul. A luz laser tem um desperdício de energia menor que as lâmpadas comuns, pois emitem muito menos calor.