São Paulo (AUN - USP) - O estudo elaborado pela médica Laís Isidoro Alves da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) visa ao retardamento e, até mesmo, à prevenção do aparecimento do diabetes tipo 1, com a aplicação de uma substância chamada nicotinamida em pessoas predispostas genenticamente à essa doença. A nicotinamida é uma vitamina do complexo B que protege a célula beta das ilhotas de Langerhans (pâncreas), responsável pela secreção de insulina.
O diabetes do tipo 1, que costuma aparecer em crianças e adolescentes, é causada pela destruição gradual da célula beta. Esse processo é lento, mas a danificação dessas células provoca a diminuição constante da secreção de insulina, tornando o indivíduo clinicamente diabético. A origem auto-imune permite a identificação do futuro doente através da avaliação da quantidade de anticorpos no sangue desse indivíduo, mesmo antes dele ser considerado diabético. Os anticorpos servem como marcadores da agressão progressiva da célula beta. Os mais conhecidos são: o anti-ilhota de Langerhans (ICA), o anti-insulina (IAA), o anti-descarboxilase do ácido glutâmico (anti-gad) e o anti-tiroxina fosfatase (IA2).
O tratamento feito com o uso de nicotinamida protege a célula beta contra o ataque imunológico. Os resultados dos primeiros exames indicam que a aplicação do produto é eficiente no paciente que foi medicado no estágio inicial de agressão da célula beta. Por outro lado, nos pacientes que já apresentavam uma taxa elevada de “anticorpos marcadores” no organismo, não obteve o efeito desejado. Entretanto, esses resultados ainda não são definitivos, visto que é preciso um número bem maior de pessoas que testem o medicamento por um longo período.
Devido ao caráter hereditário da doença, a pesquisa procura avaliar a presença e a evolução do quadro clínico dos familiares de primeiro grau - pais e irmãos - de diabéticos do tipo 1. A avaliação de marcadores humorais (imunológicos) genéticos e metabólicos compreende o trabalho em andamento. Ao longo de seis anos, o projeto selecionou cerca de 700 familiares que já foram avaliados quanto à presença de anticorpos, o que corresponde à primeira fase dos testes. A segunda fase, que consiste na comparação do genótipo dos selecionados, ainda não foi iniciada.
A pesquisa é desenvolvida no Laboratório de Investigação Médica (Lim) 18 da FMUSP. Familiares de diabéticos do tipo 1 interessados em participar das pesquisas, devem entrar em contato com a médica Laís ou com a Márcia pelo telefone (0XX11) 3066-7258 no horário comercial.