ISSN 2359-5191

21/09/2001 - Ano: 34 - Edição Nº: 14 - Ciência e Tecnologia - Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
Site oferece previsões diárias de agitação das marés

São Paulo (AUN - USP) - O Departamento de Ciências Atmosféricas do IAG (Instituto de Astronomia e Geofísica) disponibiliza, diariamente, informações sobre marés meteorológicas e agitações marítimas na região oeste do sul do oceano Atlântico. O site (www.surge.iag.usp.br) é uma iniciativa do pesquisador Ricardo de Camargo que, com auxílio da Fapesp, coordenou uma pesquisa baseada na influência dos ventos no comportamento do oceano.

Os cálculos têm base nas previsões meteorológicas dos ventos em larga escala (mundiais) e de médio prazo (cinco dias) oferecidas diariamente. Baseado no estado atmosférico (a direção, a intensidade e a duração dos ventos), calcula-se a quantidade de energia transferida do vento para a água. Esta energia provocará dois fenômenos; as ondas superficiais (agitação marítima) e o transporte de água (maré meteorológica). Quando ambos fenômenos se compõem e são máximos ocorre o que conhecemos como ressaca (“storm surge”).

A agitação marítima tem um menor período de duração (cerca de dez segundos) e segue a direção dos ventos. Sua variação pode ser de até dez metros de altura. Já a maré meteorológica, sofrendo influência também da rotação terrestre, dura em média 40 horas e varia aproximadamente meio metro acima ou abaixo da maré prevista. Para se atingir seus valores máximos, o vento deve soprar paralelo à costa e com longa duração.

O estudo se aplica ao Hemisfério Sul, mais precisamente, a toda região costeira compreendida entre o Rio de Janeiro e o norte da Argentina. Neste caso, a atuação do vento que sopra do sul para o norte desloca as águas em direção à costa (maré meteorológica positiva) ocasionando um aumento nos valores previstos pela tábua de maré. O inverso ocorre caso o vento sopre no sentido oposto, deslocando a água em direção ao mar aberto (maré meteorológica negativa).

Tanto a alta como a baixa da maré têm importantes implicações. A navegação, a pesca, os processos de erosão e a construção de portos são alguns exemplos de áreas influenciadas pelo seu comportamento. Seu baixo nível talvez comprometa a navegação e o acesso a baías e portos, assim como seu alto índice pode causar persistentes inundações.

O site se baseia nos dados fornecidos, de seis em seis horas, pelo modelo de simulação atmosférica global do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Aplica-se, então, os dados às regiões sul e sudeste da costa leste sul-americana, disponibilizando as previsões de marés meteorológicas e de agitações marítimas das últimas 48 horas. Pretende-se também, em breve, oferecer previsões baseadas no modelo global norte-americano do NCEP (National Centers for Environmental Prediction), e em modelos, mais detalhados, de áreas limitadas fornecidos pelo CPTEC e pelo IAG.

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