São Paulo (AUN - USP) - O diretor de cinema Gustavo Steinberg negociou com camelôs da Praça da República para comercializarem “Fim da Linha”, seu mais novo filme. “Eu fui na Praça da República falar com uns caras que têm barraquinha pra ver se eu conseguia vender diretamente pra eles. Eu achava que poderia ser uma boa estratégia. Mas não dá para chegar no preço. Emitindo nota não dá”, disse Steinberg na pré-estréia de sua comédia, recentemente, no CinUSP. A atitude do diretor, que também é produtor e co-roteirista do longa , reflete as dificuldades de se fazer cinema no Brasil, que começam no momento da captação de recursos para a realização do projeto e continuam até o lançamento do filme.
“Fim da Linha” demorou cinco anos para ser concluído. Durante esse tempo Gustavo Steinberg recorreu a vários programas e concursos para financiar sua obra, orçada em R$ 1,3 milhão. O longa-metragem recebeu dinheiro do programa de fomento à produção cinematográfica do Estado de São Paulo por meio do banco Santander/Banespa e da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), de um concurso público do BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), do PAC (Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo), de um prêmio do Fundo Hubert Bals e do concurso da Petrobras. Para a realização do filme, houve também parcerias com os fornecedores de equipamentos e de serviços Quanta, que virou co-produtora, e Teleimage.
Depois de tanto esforço, o longa será lançado em apenas três cinemas em São Paulo, no HSBC Belas Artes, no Cinemark Santa Cruz e no Off Price Raposo, e na Estação Gávia, no Rio de Janeiro. Se não tiver um público expressivo nos primeiros dias, o filme sai de cartaz. Steinberg reclama da falta de recursos financeiros para os cineastas brasileiros divulgarem suas produções, o que acaba influenciando no número de pessoas que vão assistir o filme e no tempo em que este fica em cartaz. Enquanto uma divulgação de um filme americano grande é de cerca de R$ 2 milhões, diz o diretor, “Fim da Linha” conta com apenas R$ 40 mil. Mas para Steinberg o problema não é apenas esse, o pequeno número de salas e o ingresso caro contribuem para que os brasileiros não prestigiem as produções nacionais.
Para Guilherme Werneck, co-roteirista do filme, isso causa uma certa frustração, já que ele gostaria que seu filme fosse visto pelo maior número de pessoas possível. Porém, conhecendo as dificuldades de produção no Brasil, Werneck considera o fato de colocar quatro cópias no circuito comercial uma conquista, algo que não se pode menosprezar. Gustavo Steinberg também ressalta que a duração de um filme pode ser muito longa, podendo ser assistido por muitas pessoas, além das que forem ao cinema prestigiar a obra.