ISSN 2359-5191

18/03/2008 - Ano: 41 - Edição Nº: 05 - Educação - Escola Politécnica
Estudo de fatores humanos integra projetos de engenharia
Em busca da melhoria na qualidade dos sistemas, profissionais da área de engenharia recorrem ao estudo do comportamento humano antes e depois do uso do produto

São Paulo (AUN - USP) - As pesquisas nas áreas de engenharia são tradicionalmente associadas apenas ao gênero ciência e tecnologia. Em oposição a essa tradição, destaca-se o Laboratório de Engenharia do Conhecimento (Knoma), da Escola Politécnica, da USP, que desenvolve um estudo que prioriza a análise dos fatores humanos em projetos de engenharia.

O estudo baseia-se na inclusão do homem como parte de um sistema a ser desenvolvido, ou seja, ele alerta para o fato de que por trás de um projeto tem um consumidor que possui demandas e reações diversas ao produto. Por exemplo, em um projeto de controle de vôo deve-se considerar mais do que os sistemas (softwares, hardwares, iluminação na pista, comunicação com o avião). É preciso levar em conta os fatores humanos do usuário do sistema, como cansaço e possibilidade de erro, e a partir daí gerar soluções, como a implantação de um sistema de supervisão das ações do usuário. A pesquisa indica, portanto, a importância de se conhecer as necessidades e a resposta do público para agregar valor a determinado sistema.

Segundo o professor Edison Spina, membro desse grupo de pesquisa, um dos principais motivos pelo qual muitas empresas e universidades estão investindo no estudo de fatores humanos na engenharia é a competição de mercado. A técnica, segundo ele, vai se consolidando como uma commoditie, pois a maioria dos produtos e serviços oferece tecnologia, mas poucos atendem a tecnologia que o consumidor demanda. Muitas vezes as pessoas compram um aparelho com uma série de funções que lhe agregam preço, mas não lhe atribuem valor, já que o potencial do produto não é totalmente aproveitado. O diferencial, portanto, está na capacidade de uma empresa ou profissional analisar o comportamento daquele para o qual o sistema destina-se.

A necessidade dessa visão mais ampla do processo de produção exige uma mudança na postura das universidades quanto à preparação do profissional. Não está sendo proposto que um curso de engenharia forneça profundos conhecimentos sobre o comportamento humano, mas se espera que ele prepare o aluno para dividir a autoria de um projeto com profissionais de outras áreas.

Segundo Spina, trata-se de aprender que não se tem domínio sobre todos os campos do saber e que é preciso estar aberto à cooperação. O professor ainda afirma que a universidade, enquanto instituição reconhecida por valorizar todo o tipo de conhecimento, seria o campo ideal para tal aprendizado.

Esse intercâmbio entre as várias áreas contraria, de certo modo, o atual processo de especialização nas profissões. Essa segmentação não é prejudicial desde que haja um diálogo entre o profissional especializado e o profissional que tem a visão global do problema.

Toda essa pesquisa visa, sobretudo, ao aumento da qualidade dos serviços e produtos, já que são os critérios de qualidade (confiabilidade, acessibilidade, disponibilidade) que proporcionam a agregação de valor e, conseqüentemente, a competitividade e sobrevivência dos sistemas no mercado. As áreas da engenharia podem e devem figurar entre gêneros como comportamento humano, pois isso significa a ampliação da eficiência de seus projetos.

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