São Paulo (AUN - USP) - Logo na infância a mentira ganha espaço, na adolescência ela pode continuar e na idade mais avançada permanecer. Porém, a mentira pode ofender, maltratar, destruir e assim provocar o desespero das pessoas. Para Leila Salomão Cury Tardivo, psicóloga da USP, “a mentira surge na vida das pessoas desde criança, quando essa não difere fantasia de realidade. É muito difícil alguém nunca ter mentido na vida”. Para a psicóloga, o problema aparece quando a pessoa entra no quadro psicótico, uma etapa mais perigosa.
O quadro da psicopatia surge quando o mitômano, pessoa compulsiva pela mentira, deixa de viver a realidade para viver uma farsa, com o intuito de não enxergar aquilo que o desagrade. Os mitômanos não conseguem se controlar e viver sem mentira, portanto necessitam de acompanhamento psicológico e, em muitos casos, é preciso tratamento psiquiátrico, pois não se tem consciência dos resultados que a mentira pode provocar no dia-a-dia.
Mentira "branca" é aquela que a psicologia caracteriza como compreensível, aquela que não faz mal a ninguém. Esse tipo de mentira, a branca, fica mais evidente na relação entre pais e filhos. "Você, por exemplo, contaria absolutamente tudo para uma criança?", pergunta Leila Cury. "Não defendo a mentira para as crianças. Elas devem ser educadas sabendo que a mentira é algo errado, pois há momentos que a verdade é mais desagradável do que a mentira", diz a psicóloga.
É importante tomar cuidado com as conseqüências da mentira no contexto social. "A verdade nua e crua, sem amor, é crueldade. Você pode usar uma verdade para ser cruel ou causar algo de ruim em outra pessoa. É preciso encontrar esse equilíbrio", explica a psicóloga. O ditado popular de que “mentira tem perna curta é compartilhado pela professora. “Uma coisa é verdade: a mentira bóia. Você pode enganar pouca gente por muito tempo, muita gente por pouco tempo, mas não consegue enganar todo mundo a todo tempo, uma hora a verdade vai aparecer”.