São Paulo (AUN - USP) - “Cada país tem o Fundo Monetário que merece. E a Argentina tem o pior Fundo Monetário do mundo”. “Os negociadores da Argentina não sabem como negociar com o Fundo”. Assim falou o professor Aldo Ferrer, da Universidade de Buenos Aires, em sua palestra na sede do Instituto de Estudos Avançados da USP. Nesta palestra, Aldo Ferrer apresentou o conteúdo de seu artigo “A Argentina e a Globalização”.
O professor já foi ministro da Economia e do Trabalho durante o governo de Raul Alfonsin, presidente do Banco da Província de Buenos Aires e do Conselho Nacional de Energia Atômica. Atualmente faz parte do grupo Fênix, formado por acadêmicos e que tem debatido saídas para a crise Argentina.
Suas posições são muito críticas quanto à forma com que o governo do ex-presidente Menem conduziu a inserção da Argentina da globalização. “A Argentina deu as piores respostas ao processo de globalização”, diz. Durante o governo Menem, ela “abriu demais o mercado interno e, com a paridade peso/dólar, não deixou que a indústria nacional tivesse condições de se adaptar, causando uma desindustrialização da nossa economia”.
Um dos exemplos de reversão do processo de industrialização é o setor eletrônico. Durante as décadas de 60 e 70, a Argentina desenvolveu uma indústria de eletro-eletrônicos bastante avançada, capaz de concorrer com equivalentes no Sudeste Asiático. Nos anos 90, com a abertura indiscriminada do mercado, esta indústria acabou quebrando e falindo.
Outro problema foram as chamadas “inversões estrangeiras”, ou seja, a entrada de capital estrangeiro no país. De acordo com Aldo Ferrer, o capital estrangeiro não desenvolveu o parque produtivo, mas adquiriu as indústrias que já existiam. Para piorar, estas indústrias tiveram todas as suas capacidades tecnológicas desmanteladas, que foram substituídas por tecnologia oriunda das novas matrizes das empresas.
Segundo ele, a política econômica dos países asiáticos, por exemplo, foi muito distinta da política argentina, provando que é possível dar respostas melhores à privatização. O Brasil também é considerado por ele como um exemplo, pois o debate eleitoral que acontece agora parece apontar para saídas mais progressistas, não importando quem ganhe a eleição.
Para Aldo, a saída para a Argentina é priorizar, ao invés de uma negociação com o FMI, a solução dos problemas que causaram a crise dentro do país. “É hora da Argentina arrumar a casa. A negociação vem depois”, diz.