ISSN 2359-5191

29/09/2009 - Ano: 42 - Edição Nº: 64 - Sociedade - Instituto de Psicologia
Discursos sociais e familiares afetam personalidade, diz professor de Londres

São Paulo (AUN - USP) - Diversos são os discursos assumidos pelas pessoas em suas distintas fases de vida. Stephen Frosh, professor da Birkbeck University of London, que visitou o Instituto de Psicologia (IP) a convite da professora Belinda Mandelbaum, realizou uma pesquisa com alunos londrinos de 11 a 14 anos e percebeu que facilmente eram encontradas falas que demonstrassem dureza, homofobia, oposição a querer estudar e amor ao futebol. “O futebol causa o gênero e não o gênero causa o futebol”, comentou.

Discursos sobre homofobia são facilmente encontrados em homens jovens. Porém, há quem se distinga. Era o caso de um garoto da amostra avaliada que muito se enraivecia com o discurso homofóbico na escola. Por que o menino não concordava com o que a grande maioria dizia? Por que existem aqueles que se opõem ao pensamento dominante? Freud explica? Sim. É o caso da psicanálise se unir à psicologia social para investigar em profundidade as diversas situações.

No caso do referido menino, sua posição diferenciada muito se devia a seu “background” familiar, fator examinado pela psicanálise. Um tio homossexual, a proximidade com a mãe e um pai considerado fracassado, ao qual ele se opunha, foram fatores suficientes para que pudesse se colocar no outro lado do senso comum.

“Discursos sociais constroem o sujeito, mas para compreendê-lo há de compreender como ele se comporta dentro desses discursos”, explicou Frosh. Ou seja, também se deve levar em consideração a posição social ocupada pela pessoa e sua relação com o ambiente externo. Para isso, os psicanalistas analisam as narrativas colocadas pelo sujeito.

No entanto, Frosh critica a posição de que eles seriam os profissionais responsáveis por reconstruir essas narrativas, por reintegrar as falas antes decompostas. “Eles articulam a ponto que o sujeito – antes sentido como objeto – se revele verdadeiramente como sujeito”, ressaltou. “É a emancipação humanística versus desfragmentação do sujeito”. Poucas são as linhas da psicanálise que mostram um sujeito plenamente integrado – ele está sempre posicionado pelos discursos que o rodeia.

Além dos discursos sociais e familiares, os discursos dos próprios psicanalistas acabam presentes durante as análises. “Eu era um pesquisador de meia idade. A outra estudiosa era negra e mulher. Os resultados foram diferentes”, exemplifica Frosh. Por isso, a subjetividade do pesquisador em questão também deve ser levada em conta. E o outro também deve ser reconhecido como alguém diferente, que possui uma área opaca, a qual não será possível acessar. “É a partir do reconhecimento da área opaca de nós mesmo, que reconheceremos o outro”, explica a professora Belinda. “Só Freud teve acesso a seu próprio inconsciente, todos os demais precisam de outra pessoa para fazê-lo”, brinca o especialista inglês.

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