São Paulo (AUN - USP) - A cada ano apenas quatro alunos de graduação da Escola de Educação Física e Esporte da USP (EEFE-USP) são selecionados para participar do PET (Programa Especial de Treinamento). Este dado revela claramente o objetivo principal do programa: detectar um grupo de alunos que se destacam pelo alto rendimento acadêmico.
Por isso, os critérios de seleção são bastante restritivos. Para concorrer a uma vaga no seleto grupo, o aluno deve ter um bom rendimento acadêmico (não pode ter reprovações no seu histórico), ser brasileiro nato, não ter mais de 22 anos no ano do processo seletivo, dedicar-se integralmente às atividades do programa e estar cursando no máximo o segundo ano do seu curso de graduação, seja Educação Física ou Esporte. “Costumamos falar que o aluno selecionado foi promovido”, afirma Alberto Carlos Amadio, professor do Departamento de Biodinâmica, coordenador e introdutor do PET na Escola, em 1996. Os alunos selecionados recebem uma bolsa-auxílio, financiada pela Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal em Nível Superior), órgão do Governo Federal, ligado ao MEC, que gerencia o programa.
Esse tipo de programa de treinamento foi idealizado no Brasil no final da década de 70, por professores da Universidade de Brasília, inspirados em universidades norte-americanas e européias. “Universidades tradicionais, como Cambridge e Oxford, exigem do aluno a redação semanal de uma monografia”, pontua Amadio. Leituras, participação em palestras e congressos, realização de projetos individuais e em grupo, apresentação de seminários, entre outras atividades, fazem parte da rotina do grupo. Conforme faz questão de destacar seu coordenador, o programa tem por objetivos dar uma formação global ao aluno, fornecendo a ele a oportunidade de ser um profissional mais completo, com uma visão mais abrangente de sua profissão e das necessidades da sociedade, além de prepará-lo para programas de pós-graduação, caso seja esta sua escolha após a conclusão do curso de graduação.
Como o PET está ligado estritamente ao curso de graduação, assim que o “petiano”, como costumam ser designados os integrantes do seleto grupo, se forma, é desligado do grupo, enquanto mais quatro novos bolsistas são selecionados. Portanto, apenas 12 alunos participam a cada ano do programa, o que lhe dá um aspecto de “elite intelectual”, que o professor Amadio faz questão de afastar, alertando que esta idéia pode ser prejudicial ao desenvolvimento do PET.