São Paulo (AUN - USP) - Saber como funciona no corpo de cachorros o rocurônio, um bloqueador neuro-muscular utilizado para traqüilizar o animal durante a operação de vasectomia (retirada de cataratas) é o objetivo da pesquisa que está sendo realizada por Celso Braga Sobrinho e Denise Fantoni, da Faculdade de veterinária da USP. Por enquanto, pouco se sabe sobre a ação dessa substância no corpo dos cachorros, seus efeitos são bem conhecidos apenas nos humanos.
O rocurônio é necessário durante a operação porque faz o animal ficar paralisado, ele leva o corpo a uma espécie de coma, um estado chamado de apinéia. Quando se atinge a apinéia, a respiração pára e precisa ser induzida manualmente pelo veterinário ou controlada por uma máquina chamada de ventilador.
Em breve, os pesquisadores saberão exatamente quanto tempo a dose de rocurônio leva para dar início à apinéia e por que período de tempo suas ações permanecem. Atualmente, o maior problema é saber em que momento o rocurônio entra em ação para que a cirurgia possa ser iniciada. Há um aparelho que indica esse momento, mas a maioria das clínicas veterinárias não o possui. A Faculdade de Veterinária da USP é um dos únicos lugares onde esse aparelho é usado; é, portanto, um dos únicos centros que realizam a vasectomia.
O aparelho funciona da seguinte maneira: estimula o nervo do animal e mede a resposta do músculo ao estímulo, que é de freqüência constante. Quando a resposta ao estímulo é de 100%, isso significa que o efeito ainda permanece nulo (os músculos e nervos trabalham normalmente), quando a resposta do músculo é de 90%, o efeito é de 10%, a 20% de efeito correspondem 80% de resposta e assim por diante. O efeito total da substância – a apinéia – é atingido quando a resposta ao estímulo é nula.
Os resultados da pesquisa permitirão que muitas outras clínicas veterinárias realizem este tipo de operação, já que com o conhecimento total sobre o rocurônio, esse aparelho não será mais necessário.