São Paulo (AUN - USP) - Preocupada com a aplicação correta de remédios nos portadores de HIV, Analice Gomes Bueno, enfermeira sanitarista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) publicou o catálogo “Anti-retrovirais: tire suas dúvidas”, que descreve e explica a reação do organismo aos medicamentos, orientando os pacientes. O folheto utiliza uma linguagem bem simplificada para atender ao público leigo e inclui perguntas e respostas freqüentes relacionadas à ação das drogas e à própria doença. Além disso, o esclarecimento sobre os efeitos colaterais, provocados pelos remédios, evita o pânico dos pacientes em caso de alguma mudança no seu organismo, pois eles são muito sensíveis à quaisquer modificações físicas e podem abandonar o tratamento.
A primeira edição do folheto explicativo foi publicada em setembro de 1998. Os folhetos foram distribuídos entre os pacientes que recebiam cuidados médicos na unidade ambulatorial atendida por Analice e, mais tarde, em outras unidades médicas que se interessaram pelo folheto. Muitos profissionais da área solicitavam o folheto e passaram distribuí-lo para os pacientes, visto que era bem aceito pelos doentes e realmente os ajudava a tomar o coquetel. Para o segundo lançamento, foram produzidas 10 mil cópias; na primeira, eram 7 mil. A segunda edição, concluída em janeiro deste ano, foi disponibilizada para o público em abril. A versão mais recente, além de conter todos os itens da edição anterior, acrescenta novos medicamentos (Abravir, Amprenavir e Efavirenz) e traz “dosagem” e “combinações não recomendáveis”. Os dois últimos itens tinham sido sugeridos por outros profissionais que tiveram acesso ao catálogo.
O objetivo desse trabalho é estimular a adesão dos soropositivos aos anti-retrovirais, conhecidos como “coquetel”. Devido à combinação de três ou mais drogas, que devem ser tomadas por duas ou mais vezes ao dia, de acordo com critérios variados, os pacientes tinham dificuldades de acompanhar o tratamento e muitas vezes não seguiam corretamente as instruções médicas, desistindo, em vários casos, do programa de tratamento. O uso incorreto dos comprimidos prejudica o tratamento do paciente, uma vez que aumenta a resistência do vírus às drogas e, ocasionalmente, pode favorecer o aparecimento de uma variedade do vírus HIV mais resistente aos remédios que pode se espalhar na população e desencadear um quadro ainda mais dramático no combate à Aids.
Qualquer pessoa interessada em obter o catálogo pode entrar em contato com a enfermeira Analice G. Bueno, no Laboratório de Alergia e Imunologia Clínica e Edxperimental – LIM/56 – da FMUSP, pelo telefone (11) 3066-7193 ou pelo e-mail agbueno@usp.br.