ISSN 2359-5191

09/08/2010 - Ano: 43 - Edição Nº: 69 - Saúde - Escola de Educação Física e Esporte
Realização simultânea de duas tarefas relacionadas melhora desempenho

São Paulo (AUN - USP) - Quando duas tarefas distintas, porém fortemente relacionadas, são executadas simultaneamente, a eficiência na realização de ambas as atividades tende a aumentar. A descoberta quebra a concepção antiga de que, sempre, ao realizar duas tarefas, haveria uma competição de atenção entre elas e, consequentemente, uma queda no nível do desempenho de pelo menos uma tarefa. A constatação foi feita a partir das pesquisas de Andrea Cristina de Lima em seu Mestrado e Doutorado, este último ainda em andamento, ambos pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE – USP).

Em situações em que duas tarefas realizadas ao mesmo tempo estão diretamente conectadas, uma dependendo da outras para sua boa execução, por exemplo, o sistema nervoso central se adapta e as interpreta como uma única tarefa. Há portando, em vez de uma competição, uma integração de tarefas e, nos casos estudados, uma melhora no desempenho de ambas.

Os experimentos foram realizados relacionando o controle postural e uma tarefa manual, sendo o desempenho desta dependente do controle adequado da postura. No Mestrado, o experimento consistiu em equilibrar um cilindro sobre uma bandeja e foi aplicado a adultos em geral. No caso do Doutorado, o grupo testado seu restringiu a idosos. Uma tarefa era o equilíbrio com controle postural e outra o direcionamento de um laser num alvo. Em ambos os casos foram mensurados as eficiências das tarefas manuais e do controle corporal, utilizando uma plataforma com sensores que medem as oscilações do indivíduo, em condições normais e depois com perturbações inesperadas que dificultavam o equilíbrio. Na segunda situação, o desempenho nas tarefas foi maior.

Esses estudos sobre o comportamento motor permitem inferir algumas coisas sobre o funcionamento do sistema nervoso e sobre o controle postural. Antigamente, acreditava-se que regulação da postura era feita exclusivamente por circuitos medulares. Os experimentos mostraram, segundo a pesquisadora, que ela também sofre influência do córtex, camada mais externa do cérebro responsável pelo processamento neuronal mais complexo. Nas situações estudadas, em que é necessário um planejamento cortical, as evidências apontam que o córtex manda uma informação para a médula para então modelar as respostas posturais.

Além disso, o novo conhecimento, como aponta Andrea, é aplicável em tratamentos fisioterápicos. A introdução de tarefas manuais em trabalhos com idosos com dificuldade de equilíbrio, por exemplo, pode tornar suas respostas posturais mais eficientes do que em treinamentos isolados.

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