ISSN 2359-5191

03/06/2003 - Ano: 36 - Edição Nº: 08 - Sociedade - Museu Paulista
Exposição de louça surge de pesquisa de iniciação científica

São Paulo (AUN - USP) - Os visitantes do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, notaram nos últimos meses uma curiosa exposição: “Louça Paulista, a produção das primeiras fábricas de faiança e porcelana da cidade de São Paulo e região”. A mostra começou no começo deste ano e traz várias peças de louça produzidas na primeira metade do século passado. São louças de mesa, estatuetas e cinzeiros, além de painéis explicativos sobre o histórico dessa produção e a técnica que era empregada.

A exposição é resultado de uma pesquisa feita pelo estagiário José Hermes Martins, orientado pela pesquisadora Heloísa Barbuy. Ela durou todo o ano passado e Hermes trabalhou por meio de sua iniciação científica. “Nós fizemos um mapeamento das fábricas que surgiram inicialmente em São Paulo e depois se espalharam pela região. Os responsáveis por esse alastramento são os técnicos das primeiras fábricas, que abriram as suas próprias em outras áreas”, diz Hermes. A idéia da pesquisa surgiu com a constatação de uma falta de peças nacionais da primeira metade do século passado, período importante de industrialização bastante trabalhado pelo museu. “A prioridade inicial era adquirir conhecimento no assunto e coletar peças para o acervo do museu, para a documentação histórica. A pesquisa frutificou em uma exposição, mas isso não acontece com todas as nossas pesquisas”.

“Trabalhamos muito com as marcas e o datamento de cada peça. A partir disso, o museu fez algumas aquisições e pediu peças emprestadas, como as da família de Romeu Ranzini”, completa Hermes. O contato com a família dos antigos industriais e com museus da região foi essencial para o andamento do estudo. A própria família de Ranzini emprestou peças das antigas fábricas, fotos e cadernos de anotações. A exposição traz peças do próprio acervo do museu, do Museu Barão de Mauá, da Porcelana Teixeira e do Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul, fora as mais diversas peças de coleções particulares. Outros importantes materiais sobre as próprias fábricas foram coletados. Várias fotos das indústrias são expostas, assim como fotos de seus proprietários e de seus operários trabalhando. Podemos acompanhar, ao andar pela exposição, o histórico dessas empresas, o seu prestígio ou pioneirismo.

O estudo sobre a técnica é exposto na mostra. Uma pequena mesa mostra como é atualmente o processo industrial para fazer a porcelana. Um outro painel distingue a faiança da porcelana; a primeira é porosa e grossa, a segunda possui uma massa homogênea, é impermeável, mais resistente e tem aparência translúcida. A princípio, a única técnica usada no Brasil foi a faiança, por ser mais fácil de fabricar. Muitos industriais paulistas, inclusive Ranzini, tentaram desenvolver a técnica da porcelana estimulados pelo mercado nacional. Mas somente em 1937 a Porcellana Mauá começou a produzir porcelana fina de mesa em São Paulo. A empresa fora fundada por um empresário e dois técnicos catarinenses que estudaram o processo na Alemanha.

Segundo Heloísa, a exposição vai sofrer uma substituição de peças no meio do ano. Estimuladas pela exposição, muitas pessoas doaram o seu acervo pessoal ao museu, o que aumentou muito as peças a serem expostas.

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