São Paulo (AUN - USP) - Tendo em vista os recentes “apagões” ocorridos em Nova York, Londres e Roma, voltam ao cenário brasileiro discussões acerca da sobrecarga dos sistemas de produção de energia. Em vista disso, pesquisadores do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP (IEE), associados à Escola Politécnica (Poli), Faculdade de Economia e Administração (FEA) e Instituto de Física (IF), elaboram políticas de repotenciação das usinas hidrelétricas brasileiras. O projeto prevê o desenvolvimento de uma política energética que implante esse processo, cujos resultados podem aumentar em até 20% a eficiência das usinas hoje em atividade.
O estudo coordenado pelo professor Célio Bermann (IEE-USP) analisa o quadro vigente das políticas públicas de geração de energia no Brasil e trabalha para a elaboração de um novo plano de ação para o setor. A repotenciação ou reabilitação de usinas é parte desse plano e atingiria hidrelétricas com mais de 20 anos de funcionamento, acrescentando seis a oito mil MW (megawatts) à produção total brasileira.
As técnicas utilizadas para a repotenciação variam desde a melhoria no isolamento do sistema gerador de energia (aumento de 3 a 5% na produção da usina) até a substituição de turbinas, por exemplo, melhorando o desempenho de todo o sistema (aumento de 20 a 23% na produção). Essas alternativas para aumentar a oferta de energia prevêem um investimento quatro ou cinco vezes menor do que a construção de novas usinas e um prejuízo ambiental imensamente menor.
Além da técnica, o grupo coordenado pelo professor estuda a viabilidade política da concretização do projeto e elabora um plano para sua implantação. Para dar início a esse processo, as usinas brasileiras estão sendo agrupadas e estudadas e devem ser desativadas para a repotenciação em períodos em que haja excedente na produção de energia. O tempo para a conclusão da reabilitação de cada um desses grupos varia de três e seis meses, e o conseqüente aumento na geração de eletricidade possibilitaria a repotenciação de outros grupos.
Sociedade, Energia e Meio Ambiente
O professor Célio Bermann faz parte do grupo de pesquisa Sociedade, Energia e Meio Ambiente do IEE, dentro do Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia (PIPGE). O grupo também desenvolve trabalhos junto à FASE, organização não-governamental responsável pelo Projeto Brasil Sustentável e Democrático; WWF Brasil (World Wide Fund for Nature) e assistência a movimentos sociais ligados à questão energética (sindicatos e Movimento dos Atingidos por Barragens no Brasil).