São Paulo (AUN - USP) - O trabalho de preservação de obras dentro de instituições artísticas, que inclui restauração e reprodução, é considerado pelos próprios especialistas da área como um dos mais delicados e difíceis de serem executados. Costuma passar despercebido ao grande público – e em grande parte por culpa dos próprios museus, que realizam estes serviços com as portas fechadas. Pensando nisso, a unidade Ibirapuera do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo apresenta até o dia 27 de novembro o projeto “MAC em Obras”, que permite aos visitantes acompanhar os processos de conservação e restauro de 19 obras do acervo da casa.
Em uma espécie de “exposição em constante mutação”, como os próprios organizadores da mostra a definiram, ela foi idealizada para reacender a discussão sobre o papel dos museus frente às obras de arte contemporânea. Por lá, o público pode acompanhar os trabalhos e as discussões da equipe do museu com os artistas, cientistas, curadores e técnicos em conservação de outras instituições. Estes são chamados para auxiliar nas diferentes fases do processo, tendo um contato inédito com o debate que envolve o trabalho de colecionar, estudar, preservar e exibir a produção artística contemporânea.
“Pensamos na possibilidade de convidar outros profissionais para discutir questões pertinentes ao tratamento geral da arte contemporânea nos museus, já que nessa área não existem soluções prontas e cada decisão a ser adotada precisa ser muito bem avaliada de antemão. Visamos promover em primeiro lugar o debate e também reunir subsídios para chegarmos às melhores soluções para os problemas de cada obra”, declarou a organizadora Helouise Costa.
Entre as obras atualmente nesse processo de restauração que podem ser vistas pelos visitantes estão Pele (1990), de Ana Barros, Infância (1990) e Das Lamentações (1999), de Nina Moraes, e La Basílica (1985), Espectadores (1981) e Tabuleiro (1982), de León Ferrari. Ainda segundo Helouise, os organizadores acreditaram que o museu deveria expor esses trabalhos em obras especialmente por se tratar de uma instituição pública e voltada para a pesquisa de sua coleção. “O MAC é um museu público universitário, o que acarreta um compromisso com a produção de conhecimento sobre o seu acervo, seja do ponto de vista técnico, seja do ponto de vista histórico-crítico”, ela diz. A organizadora salienta que a área de documentação e restauração, assim como de documentação e catalogação, exige um trabalho conjunto por parte dos curadores e especialistas do museu para se chegar às soluções mais adequadas. “A ideia dessa exposição surgiu pensando-se nisso, na possibilidade de realizar um esforço concentrado para tratar obras do acervo que traziam problemas semelhantes e cujas soluções encontradas poderiam interessar não apenas aos alunos das disciplinas ministradas pelos docentes do museu, mas também ao público de uma maneira geral”, explicou.
Procedendo dessa maneira, o MAC reforça o compromisso da instituição não só com a produção artística contemporânea, mas também com os estudantes e pesquisadores que compõem grande parte de seu público visitante. Dando a oportunidade de familiarização com trabalhos pouco divulgados, promove ainda a valorização, bastante merecida, desses artistas, cientistas, restauradores e documentaristas.
Exposição “MAC em Obras”
Período: 27/05/2011 a 27/11/2011
Local: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – unidade Ibirapuera, Pavilhão Ciccillo Matarazzo, 3° piso, Parque Ibirapuera, São Paulo, SP
Funcionamento: Terça a domingo das 10h às 18 horas
Ingressos: Gratuito