São Paulo (AUN - USP) - Design inovador, uso de fonte limpa de energia e conectividade são as principais tendências do mercado automobilístico deste século. “Quando unimos as três, temos a reinvenção da mobilidade urbana pessoal”, diz Christopher Borroni-Bird. O projeto que proporcionaria essa revolução chama-se En-V, e foi apresentado aos estudantes da Escola Politécnica da USP pelo diretor de tecnologia avançada para conceitos veiculares da GM nos EUA durante sua visita ao Brasil no mês passado. Apesar de ter sido marcada de última hora, a palestra estava lotada.
“Há duas mega-tendências hoje em dia”, continua Bird, “a urbanização e o envelhecimento da população. Isso afetará o mercado, e, como fabricantes de carro, nós temos que compreender isso”. Pequeno (com espaço para apenas duas pessoas), elétrico, com função de direção semi ou totalmente autônoma e preço acessível, o modelo En-V foi projetado para ser utilizado por qualquer pessoa e para contemplar as necessidades impostas pela vida em áreas densamente povoadas. Uso de menos espaço para estacionamento, tempo de viagem menor e mais previsível, maior segurança e menor índice de poluição foram as metas que guiaram o desenvolvimento do projeto.
“As pessoas gostam de dirigir, porque há vantagens em relação às formas alternativas de transporte”, diz o engenheiro. Segundo ele, essa reinvenção do automóvel possibilitaria preservar os benefícios de se ter um carro – como segurança conforto, conveniência, utilidade, liberdade de caminhos e horários – e ao mesmo tempo reduzir significativamente os efeitos colaterais – gasto de energia, poluição do meio ambiente, congestionamentos e difícil estacionamento. “Os automóveis hoje são super projetados, e são fabricados para cobrir qualquer necessidade e ter alta performance. Mas não precisamos disso o tempo todo”, continua Bird. O conceito En-V se aplica a um veículo criado sob medida para necessidades específicas de quem mora em áreas muito povoadas.
A necessidade de se haver conectividade também guiou os eixos do projeto. Além de promover conforto e entretenimento aos passageiros, que podem acessar a internet e fazer vídeo conferências e ligações quando no piloto automático, a conectividade serve para se assegurar a segurança de todos os usuários de vias públicas. Conectados uns aos outros e com sensores de movimento, a idéia é que os veículos poderão evitar acidentes autonomamente.
Questão política
Uma revolução como essa não se trata apenas de tecnologia. Para que ela seja possível, é necessário que haja uma reforma na infraestrutura das cidades. Por isso, segundo o engenheiro, “não é possível prever quando poderemos ver veículos assim nas ruas. É uma questão tanto política como de tecnologia”. O engenheiro não vê problemas com a possibilidade da convivência com carros convencionais, que já convivem bem com bicicletas e motocicletas, mas ainda haveria a necessidade de se instalar, por exemplo, meios fios com placa de carregamento indutivo. Segundo ele, essas reformas seriam mais simples do que parecem e a infra-estrutura necessária já está quase toda disponível. Por exemplo, “carros elétricos comuns consomem muito mais energia que os modelos En-V, e a rede [dos EUA] pode suportar muitos deles. Por enquanto isso não seria um problema. É apenas uma questão de se querer fazer realizar.”