São Paulo (AUN - USP) - A equipe Poli Racing, da Escola Politécnica da USP, alcançou 7ª colocação na Competição Fórmula SAE Brasil-Petrobras, ocorrida dias 19 e 20 de novembro em Piracicaba. A primeira colocação foi conquistada pela equipe Fórmula FEI, do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana). Este ano, 21 equipes de todo o país (totalizando um número de mais de 500 inscritos) participaram do evento, que está em sua 8ª edição e acontece anualmente desde 2004. A Poli participou das edições dos anos de 2008 e 2009, recebendo respectivamente 6ª e 8ª colocações.
A competição conta com duas etapas configuradas por provas estáticas e dinâmicas. As primeiras incluem provas de custo - avaliação do relatório enviado 2 meses antes do evento com a relação de gastos do projeto -, de design - que avalia cada etapa da construção do carro, desde os primeiros desenhos até a montagem - e de apresentação - na qual a equipe deve apresentar a investidores hipotéticos o projeto como uma proposta que deve ser viável para a fabricação de mil unidades do modelo por ano.
As provas dinâmicas contam com quatro baterias de corrida: a Acceleration - que ocorre em uma pista em linha reta -, Skid Pad - em uma pista com formato de oito, para medir a capacidade do carro em curvas -, Autocross - uma volta em circuito montado pelo comitê técnico e que mede a capacidade do carro em situações diversas como curvas, acelerações e frenagens -, e Endurance, que mede a confiabilidade do carro e economia de combustível em uma pista de 22 km montada também pelo comitê.
A Poli Racing se saiu especialmente bem nas inspeções técnicas, obrigatórias para as provas dinâmicas e maior causa de desclassificação da competição. Das 21 equipes participantes, 13 não puderam correr no primeiro dia de provas, e 9 no segundo, por terem sido reprovadas nessas inspeções. Entretanto, a equipe enfrentou problemas nas provas dinâmicas. Um defeito na vedação do motor obrigou parte dos integrantes a passarem a noite na oficina para que fosse possível participarem da última prova, no domingo. Nesta, porém, o escapamento entupiu, o que causou o derretimento da peça, que caiu na pista durante a 7ª volta, eliminando o carro da corrida.
Apesar dos problemas enfrentados, os integrantes avaliam positivamente sua participação no evento. Formada por 20 alunos, a equipe trabalhou dias e noites desde 2010, logo após a competição daquele ano. O modelo, projetado para acelerações e desacelerações fortes e curvas rápidas, assemelha-se a um veículo de Fórmula Indy tanto visualmente como em diversas regras de segurança que são utilizadas em competições como a F1. Em relação ao ano passado, o protótipo deste ano é praticamente outro. A estrutura foi aperfeiçoada, o motor atualizado, as peças da suspensão tiveram peso reduzido, a carenagem ficou mais leve. Com a utilização de fibra de carbono, a transmissão teve sua inércia rotativa reduzida ao máximo e o sistema de direção foi reprojetado.
A redução de peso sem perda de confiabilidade e resistência foi a estratégia da equipe. Os materiais utilizados incluem diversos tipos de aços e alumínios escolhidos com esse foco. “O projeto visa sempre ao aumento de desempenho do veículo, portanto são realizadas diversas simulações em peças para analise de redução de peso. Porém, sempre há o fator tempo, o qual é reduzido e nos impede de analisar o carro por completo todo ano, então analisamos as peças que consideramos possuir o maior potencial de ganho”, conta Rafael Martins de Moraes, capitão da equipe, que se mostra otimista em relação a corrida deste ano.
Segundo ele, a grande inovação tecnológica do projeto é o atenuador de impacto produzido em espuma e testado no centro de segurança da Fiat, na Itália. “Ele se mostrou muito eficiente no amortecimento e muito leve, garantindo maior segurança ao piloto e desempenho ao veículo”, continua o aluno do 6º semestre do curso de engenharia elétrica.
A equipe conta também com participantes dos cursos de engenharia mecânica, mecatrônica, elétrica, naval, produção e da pós-graduação e possui uma oficina própria, cujo espaço é cuidado e gerido por ela mesma. Porém, há falta de recursos tanto financeiros como humanos, e “os projetos ainda não estão páreos daqueles desenvolvidos por equipes campeãs nos EUA e Europa” diz Moraes. Algumas das dificuldades enfrentadas foram problemas de infraestrutura (poucos computadores para uso, falta de iluminação na oficina), de transporte, de renovação da equipe e de conflitos de horário com os estudos.
No entanto, apesar das dificuldades, todos tem certeza de que a experiência foi enriquecedora. “Com certeza o projeto é a melhor experiência que a equipe teve e terá na faculdade. Sem dúvida esse projeto contribuiu imensamente para a formação de cada um, além de ser algo sem comparação a outros projetos. É consenso o pensamento de apesar de o trabalho ser intenso, a experiência e o conhecimento adquiridos são inestimáveis e dificilmente seriam conseguidos em outros projetos na faculdade”, conta Moraes.