ISSN 2359-5191

07/12/2011 - Ano: 44 - Edição Nº: 115 - Ciência e Tecnologia - Escola Politécnica
Tecnologias inéditas no país são apresentadas em Semana de Engenharia Automotiva na Poli
Evento contou com a presença de representantes de grandes empresas e organizações da área no Brasil

São Paulo (AUN - USP) - Alunos da Escola Politécnica da USP puderam aprender, no mês passado, sobre algumas das inovações tecnológicas que estão para chegar ao Brasil nos próximos anos na área de engenharia automotiva. Organizada pelo Centro Acadêmico da Mecânica, a Semana de Engenharia Automotiva foi um ciclo de palestras que contou com grandes nomes do mercado automobilístico brasileiro. Estiveram presentes representantes da Fiat, Cummings, GM, Continental, CEA (Centro de Estudos Automotivos) e Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), algumas das empresas e organizações mais almejadas por recém-formandos politécnicos que desejam entrar para o mercado brasileiro de carros.

Os temas principais das palestras foram o cenário atual do mercado e as tendências e novas tecnologias previstas para chegarem ao país nos próximos anos. O desafio, segundo os especialistas, é conciliar demandas aparentemente contraditórias. Por um lado, há a demanda por motores mais potentes e maior conforto proporcionado por tecnologias de ponta. Ao mesmo tempo, imposta tanto pela legislação como pelos próprios consumidores, há a necessidade da diminuição dos índices de emissão de gás carbônico e da dependência de combustíveis fósseis, assim como o aumento da reciclabilidade de materiais e da utilização de biocombustíveis. “Há uma forte pressão nos EUA e Europa para uma legislação ambiental rigorosa”, diz João Irineu Medeiros, diretor de engenharia da Fiat. “No Brasil, isso começou na década de 80, e de lá para cá houve uma redução dos gases poluentes em media de 90%. Os valores de emissão aqui estão alinhados com os mais exigentes padrões da Europa e EUA”.

Segundo ele, um dos avanços ainda a chegar ao país é a obrigatoriedade de selos de eficiência energética, que possibilitam ao comprador verificar se os veículos são mais ou menos econômicos. “No momento, o uso [das etiquetas] é voluntário, mas em breve será obrigatório. O governo está discutindo isso com muita ênfase e em breve teremos um posicionamento sobre o assunto”, diz Medeiros.

Na área dos motores, os de ignição continuarão a ser dominantes no mercado apesar de emitirem mais gás carbônico que os que movidos a diesel, pois são muito mais baratos. A solução encontrada para se alcançarem os padrões ditados pela legislação são a diminuição do tamanho (downsizing), o uso de combustíveis de baixo teor de carbono, como etanol e gás natural e uso de novas tecnologias em transmissões e sistemas híbridos.

Novas tecnologias
As tendências apresentadas pelos palestrantes se dividem em novas tecnologias direcionadas ao conforto e à funcionalidade do veículo. Segundo Flávio Sakai, da Continental, devem-se esperar para os próximos anos avanços ligados à segurança (como vidros que fecham sozinhos, bloqueio remoto do carro, sistema de rastreamento mais avançado e saído de fábrica, sistema de cerca eletrônica – que notifica o dono do carro se este sair de certa região ou passar de certa velocidade – e mensagens e chamadas de emergência automáticas em caso de acidentes. Além disso, há melhorias ligadas à manutenção, como detecção de emissões de carbono e lugares com combustível adulterado, além de serviço de auto-diagnose de problemas, e à conectividade - ter um tablet acoplado ao painel, serviço de concierge, receber informações de trânsito e “diálogo” direto com veículo para verificar remotamente se ele está trancado, se a janela está aberta, onde ele está estacionado, entre outros. Por fim, segundo Sakai, em um futuro próximo, um veículo poderá se comunicar com outros, por exemplo, enviando mensagens ao motorista se ele se aproxima de uma área onde aconteceu um acidente ou avaliando o risco de situações de trânsito com a análise das velocidades de veículos próximos. “No Brasil isso vai demorar, mas na Europa já está encaminhado”, diz o engenheiro.

Alguns avanços tecnológicos mais técnicos também foram descritos aos estudantes da Poli. Dentre eles, destacam-se o motor Multiair, cuja potência é 10% maior que os motores comuns e o consumo e emissões de carbono e gases nocivos até 25% menores graças a novas tecnologias de controle de válvulas de combustível, e a tecnologia de transmissão Dual Dry Clutch, que tem menor custo e promove economia de combustível e maior conforto na direção.

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