São Paulo (AUN - USP) - Nos dias 1º e 2 de dezembro de 2011 realizou-se a Conferência USP sobre Envelhecimento, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade. O evento foi composto por apresentações e discussões acerca do tema, validado pela cada vez maior expectativa de vida mundial e consequente aumento da população idosa. Nos EUA, que em 2010 alcançou o número de 35 milhões de idosos, se consolidaram alguns programas que visam aos cuidados com os mais velhos e esta iniciativa foi um dos temas abordados pelo evento, em seu segundo dia.
O Life (Living Independently for Elders), conhecido em outros lugares como Pace, é um programa de assistência ao idoso instalado nos EUA no ano de 1998 e que tem seu grande expoente no estado da Pensilvânia, detentor de uma numerosa população de idosos. Assim, o estado é o que contém mais unidades do Life, com 19 delas ativas atualmente. Cada uma abrange determinada região e, dentro de seus limites, atende às pessoas com mais de 55 anos elegíveis para serem membros do programa. Essa elegibilidade depende de critérios médicos e é variável.
Pamela Cacchioni é professora associada em enfermagem gerontopsiquiátrica da Universidade da Pensilvânia (EUA) e foi convidada a apresentar o Life que existe em parceria com sua Universidade, denominado Life UPenn, o único que tem bases acadêmicas. Ele atende atualmente 420 membros, dos quais cerca de 80% são diagnosticados com algum tipo de demência. A idade média de cada um deles é de 80 anos, uma população considerada jovem pela pesquisadora.
Três aspectos compõem a missão do Life: prática, educação e pesquisa. A primeira delas é a mais importante, de acordo com Pamela, e o que caracteriza o programa. Ela diz respeito aos cuidados primários com o idoso, que recebe semanalmente visitas de enfermeiras, dentistas e até mesmo padres. O foco é, então, nos cuidadores do lar, ou seja, os membros da família que convivem com o mais velho e dele cuidam. Quando é preciso uma observação mais intensa e cuidados imediatos, como nos casos de lapsos frequentes de memória e abuso por parte da família, os pacientes são encaminhados à uma casa de apoio (Nursing Home), que abriga 13,2% de todos os membros do Life UPenn. Há também 24 vans responsáveis pelo transporte diário de 250 membros do programa ao centro de atendimento e serviços de reabilitação do idoso à casa após período passado em hospital, com aplicação de medidas de segurança domiciliar.
O programa tem uma equipe própria composta por diversos profissionais da saúde, mas forma também uma rede de colaboradores com a comunidade ao seu redor, por exemplo, servindo como prática laboratorial aos estudantes de enfermagem, geriatria, e afins da Universidade da Pensilvânia. Este é o pilar da educação, responsável pela salubilidade do programa, com trocas constantes de aprendizado entre pacientes, alunos, professores e demais profissionais, tudo em prol da melhor qualidade de vida do idoso.
O terceiro, porém, não menos importante aspecto preenchido pelo Life é o da pesquisa na área médica, fazendo com que constantemente o programa se renove e melhore suas técnicas, aliando teoria à prática. Para 2025 já existem recomendações a serem seguidas no Life UPenn, com fins à absorção da cada vez maior população de idosos. “É um programa magnífico que diminui o caos do sistema de saúde para o idoso”, exalta Pamela Cacchioni.