São Paulo (AUN - USP) - Em fase inicial, a pesquisa Memória gráfica paulistana: estudos exploratórios sobre tipografia e identidade procura elucidar as origens, as relações e entender a cultura visual da cidade de São Paulo. Para isso, a pesquisadora e professora de design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU), Priscila Lena Farias, propõe em seu projeto a criação de um banco de dados acerca das tipografias historicamente utilizadas na capital paulista, que possa funcionar como referência para um pólo local da rede de pesquisa sobre memória gráfica brasileira.
Apesar da pesquisa se encontrar em fase exploratória, segundo a própria professora, ela já tem idéia de quais vertentes da pesquisa ganharão mais foco e aprofundamento. Um deles é o resgate da tipografia de São Paulo no século 19. “São Paulo demorou bastante para produzir seu primeiro jornal impresso (1827), mas até o final do século, ocorreu um grande aumento no número de gráficas”. Apesar do conteúdo dessas publicações já ter sido bastante estudado, o aspecto visual não recebeu nenhuma pesquisa. “Me incomoda”, afirma a pesquisadora.
Uma historiografia da tipografia brasileira nunca foi construída, e isso, segundo Priscila, gera um grande debate dentro das escolas de design. A dúvida quanto a existência de uma identidade tipográfica, seja ela latinoamericana, brasileira ou paulista só é respondida com suposições, pela ausência de estudos na área. “É sabido que recebemos forte influência europeia em nossa cultura tipográfica, mas de que parte da Europa? E apesar dela, produzíamos publicações aqui. O que é tipicamente brasileiro ou paulista?”
Outra área abordada pela pesquisa é a análise das publicações impressas, especialmente das que tenham relação com a cultura punk. Entre os objetos de estudo estão as Fanzines (fanatic magazines), revistas produzidas por fãs. De acordo com Priscila, o interessante é que esses periódicos não eram editados por profissionais e apontam para uma cultura tipográfica paulista dos anos 1980. Outros movimentos culturais também tiveram seus tipos estudados, como, por exemplo, os cartazes de filmes do cinema marginal.
Além disso, pretende-se desenvolver famílias tipográficas baseadas em observações de letras encontradas na coleta de dados. Onze fontes já foram produzidas a partir da apreciação de elementos materiais, como a embalagem de uma marca de cigarros e de charque, por exemplo. Uma pichação no muro da rua Cardeal Arcoverde também está tendo sua forma reproduzida para a criação de uma fonte, como parte de um projeto de iniciação científica orientado pela professora.