ISSN 2359-5191

09/07/2012 - Ano: 45 - Edição Nº: 65 - Saúde - Instituto de Pesquisas Energéticas
Burocracia da Anvisa breca pesquisa de lente que combate glaucoma
Dispositivo desenvolvido por pesquisador do Ipen libera pequenas doses de colírio de forma contínua sobre o olho

 

São Paulo (AUN - USP) - Um projeto que poderia estar auxiliando milhares de brasileiros a conter o avanço do glaucoma está paralisado por conta da lenta burocracia de liberação de produtos farmacêuticos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

 

Desde 2009, pesquisadores fabricam dentro dos laboratórios do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) uma lente de contato capaz de liberar por até um mês as substâncias presentes nos colírios que combatem o glaucoma. Contudo, desde quando o projeto ingressou em sua fase de adaptação industrial, perdeu o apoio de seus patrocinadores privados por conta do longo processo de autorização do Ministério da Saúde.

 

Além de reduzir as preocupações de pacientes com horários de aplicação do medicamento, a ideia do farmacêutico e bioquímico José Roberto Rogero era desenvolver uma alternativa para o uso dos frascos convencionais nos quais são armazenados os colírios. “Idosos, por exemplo, tem grandes dificuldades para pingar as gotas sozinhos” e muitas vezes “acabam se esquecendo” dos horários receitados pelos oftalmologistas.

 

Como a lente de contato já traz consigo os compostos ativos dos colírios, o medicamento é liberado sobre o olho dia após dia e em pequenas doses. Fabricado a partir de silicone, substância inerte que não reage com o globo ocular, o dispositivo conseguiria manter a difusão do colírio por até 30 dias.

 

Mas “para liberar o uso em humanos, a Anvisa demoraria de cinco a dez anos”, conta Rogero. Nesse período de tempo, “qualquer farmacêutica multinacional conseguiria importar um produto semelhante e a ideia acabaria ficando obsoleta”. Parte de seu financiamento vinha da Ophtalmos, uma indústria e distribuidora de medicamentos oftalmológicos que decidiu paralisar seu apoio frente à burocracia imposta pelo Ministério da Saúde.

 

Para manter sua linha de pesquisa viva, Rogero foi obrigado a recorrer ao setor veterinário. Ele agora tenta adaptar as lentes de contato, substituindo os colírios que poderiam auxiliar no tratamento dos portadores de glaucoma por anti-inflamatórios e antibióticos recomendados para cães e gatos.

Leia também...
Agência Universitária de Notícias

ISSN 2359-5191

Universidade de São Paulo
Vice-Reitor: Vahan Agopyan
Escola de Comunicações e Artes
Departamento de Jornalismo e Editoração
Chefe Suplente: Ciro Marcondes Filho
Professores Responsáveis
Repórteres
Alunos do curso de Jornalismo da ECA/USP
Editora de Conteúdo
Web Designer
Contato: aun@usp.br