ISSN 2359-5191

12/07/2012 - Ano: 45 - Edição Nº: 68 - Saúde - Instituto de Pesquisas Energéticas
Brasil corre riscos de crise de abastecimento de radiofármacos, alega pesquisador do Ipen
Por falta de investimentos em recursos humanos e infra-estrutura, milhares de cidadãos poderão ficar sem o diagnóstico preciso de doenças como o câncer

 

São Paulo (AUN - USP) - Responsável por suprir boa parte da demanda brasileira de radiofármacos, o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) poderá sofrer, a médio prazo, com uma séria crise de abastecimento e fornecimento de medicamentos radioativos.

 

É o que argumenta Jair Mengatti, gerente do Centro de Radiofármacos da autarquia do Governo Federal junto ao Estado de São Paulo. Para o pesquisador, o Brasil “ainda depende muito de matéria-prima importada” para a fabricação de medicamentos radioativos, o que, em conjunto com “a falta de investimento em reatores” e a “falta de reposição de técnicos e especialistas” poderá ocasionar um “quadro crítico”.

 

“Grande parte dos técnicos estão se aposentando, o que nos leva a crer que, se não suprirmos a vaga dessas pessoas ao longo dos próximos anos, teremos sérios problemas”, explica. Para Mengatti, esse cenário pode agravar-se de tal forma que “muitas pessoas vão ficar sem diagnóstico por conta da falta de pessoal qualificado”.

 

No momento, o Ipen consome de 4% a 4,5% da oferta mundial de molibdênio, um dos elementos necessários para a fabricação de parte dos radiofármacos distribuídos pelo país. Isso significa que, por enquanto, a instituição ainda consegue “trabalhar razoavelmente bem”. Contudo, Mengatti conta que “os reatores presentes no Brasil não têm potência suficiente” para atender à demanda nacional, tanto que, por exemplo, “para atender à população argentina, que é substancialmente menor que a brasileira, ainda assim teríamos que elevar nossa produtividade em mais de duas vezes”.

 

“Hoje toda a demanda é suprida, mas a médio prazo, caso não haja investimento em pessoal qualificado e infra-estrutura, teremos uma grave crise de abastecimento de radiofármacos”, conclui. O Ipen está construindo um novo reator nuclear para, entre outros propósitos, fabricar mais radiofármacos. Localizado no município de Iperó, interior de São Paulo, essa instalação, segundo o pesquisador, surge justamente como forma de suprir uma enorme lacuna na produção de medicamentos radioativos.

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