ISSN 2359-5191

19/07/2012 - Ano: 45 - Edição Nº: 75 - Ciência e Tecnologia - Instituto de Pesquisas Energéticas
Falta de usinas nucleares no Brasil é fruto de baixo esclarecimento público, dizem pesquisadores
Para físico do Ipen, técnicas de armazenamento de rejeitos radioativos já são minimamente aceitáveis

São Paulo (AUN - USP) - Falta de interesse do governo e carência de informações precisas em meio à opinião pública. Para pesquisadores do Centro de Rejeitos Radioativos do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) estas são as duas principais razões pelas quais o Brasil prossegue com apenas duas usinas nucleares.

O principal argumento empregado por ambientalistas na oposição à implantação de reatores nucleares de energia elétrica é que é, supostamente, impossível proceder com uma deposição responsável e eficiente de rejeitos radioativos no meio ambiente.

Não é o que pensa o pesquisador Roberto Vicente e sua equipe. Para o físico, “ainda que não exista o ‘risco 0’, hoje já há soluções minimamente aceitáveis para a deposição desse tipo de lixo”. Essa “razoável segurança” a que se refere se deve principalmente ao fato de que “rejeitos radioativos são embalados em embalagens robustas e depositados em meios geológicos de profundidade igual ou maior a 400 metros”.

Nesse sentido, Vicente acredita que a militância contrária à instalação de mais unidades nucleares de geração de energia elétrica gira em torno de uma questão absolutamente política. “É como uma feira livre”, exemplifica. “Todos gostam de ir até as bancas comprar verduras frescas, mas ninguém gosta de ter a banca na frente da garagem de casa.”

A seu ver, vários municípios do país poderiam granjear receitas substantivas a partir do armazenamento de rejeitos radioativos. Como já “há tecnologia muito bem conhecida e plenamente aceitável”, prefeituras poderiam arrendar terrenos para abrigar esse tipo de lixo, sem assim comprometer a segurança de seus moradores. Trata-se de algo semelhante ao que ocorre na Finlândia, onde “comunidades cedem espaço para o armazenamento de rejeitos radioativos em troca de compensações”.

“A tecnologia já é compartilhada mundialmente; só falta vontade de fazer”, conclui. “Temos apenas duas usinas nucleares por que há um receio público. Estou absolutamente convencido de que com maior esclarecimento a opinião pública concordaria com esse tipo de fonte energética.”

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