São Paulo (AUN - USP) - O inverno de 2012 vem registrando recordes sucessivos de altas temperaturas desde o início das medições pelo Inmet (Instituto Nacional de Metereologia), 48 anos atrás. Na cidade de São Paulo o quadro é especialmente preocupante porque a alta temperatura se soma ao clima seco e à poluição, o que tem causado problemas aos paulistanos. Para fugir da secura excessiva do ar, mais e mais pessoas têm apelado para o uso de umidificadores de ar. Custando entre R$ 60 e R$ 300, o aumento nas vendas desses aparelhos tem sido contínuo há vários invernos, chegando a um crescimento de 528% em julho de 2010, em relação ao mesmo período do ano anterior.
O que poucos dos usuários desses produtos sabem, no entanto, é que seu uso pode ser tão prejudicial quanto o próprio clima seco.
O objetivo do umidificador é aumentar a quantidade de partículas de água na atmosfera do ambiente em que está sendo utilizado. Assim, ajudam a hidratar as mucosas, impedindo que ácaros e pequenas partículas entrem no corpo. O que pode acontecer, entretanto, é que o uso frequente do aparelho pode aumentar demais a umidade do recinto, sobretudo se ele for mal-ventilado ou houver grande presença de tecidos pesados por perto (por exemplo, cortinas, mantas e almofadas).
“A pele é formada como se fosse uma barreira feita de tijolos e cimento”, explica Valéria Aoki, professora da Faculdade de Medicina (FM) da USP. “Essa barreira serve para nos proteger, mas são vários os fatores que podem alterar a sua composição, enfraquecendo-a, como mudanças térmicas, uso de produtos químicos ou variações de umidade”. Além disso, são muitas as pessoas que já possuem uma predisposição maior a ter uma barreira mais frágil, como os portadores de diabetes e doenças crônicas.
Na pele, as conseqüências mais comuns do contato com umidade excessiva são o aparecimento de alergias e micoses, como aPitiríase versicolor e a dermatofitose (pé-de-atleta). Essas doenças são causadas por fungos e bactérias que veem no ambiente úmido o local ideal para procriarem.
Por outro lado, a tolerância do sistema respiratório à mudanças na umidade é maior. O ar úmido é um dos grandes responsáveis por eliminar secreções, que, se acumuladas, podem causar bronquite e pneumonia. Uma atmosfera seca, por outro lado, pode causar irritações e sangramentos nas mucosas, bem como dores de garganta e até gripe, já que a quantidade de microorganismos maléficos no ar é maior quando não chove.
Devido às perguntas freqüentes que recebe de seus pacientes, Alberto Cukier, pneumatologista da FM, buscou se informar melhor a respeito dos umidificadores de ar. Em sua pesquisa, percebeu que não há bibliografia alguma a respeito do uso desses aparelhos. Além disso, métodos menos sofisticados, tais quais a colocação de bacias de água ou toalhas molhadas no ambiente seco, são de igual eficácia, e com menos riscos, afirma o médico. “O problema é não saber o quanto e nem por quanto tempo se deve manter o aparelho ligado, por isso as técnicas mais rudimentares podem funcionar melhor”, completa.
“De modo geral, o umidificar é mais benéfico do que maléfico, mas o mais importante é manter o aparelho em condições adequadas de higiene”, conclui Valéria, lembrando da necessidade de limpá-lo regularmente e de trocar sua água, evitando assim a contaminação por ácaros e bactérias.