São Paulo (AUN - USP) - Visando realizar um mapeamento mais completo das áreas com maior chance de desastres decorrentes de chuvas fortes no estado de São Paulo, se iniciou em 2010 no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP a pesquisa que originou a dissertação de mestrado Análise e modelagem dos eventos extremos de precipitação sobre o Estado de São Paulo, orientada pela professora Rita Yuri Ynoue e desenvolvida pelo aluno Mercel José dos Santos, do curso de pós-graduação em Metereologia.
Defendido em julho de 2012, o estudo detectou as áreas de maior risco de “eventos extremos de precipitação”, chuvas fortes que podem causar enchentes, desabamentos e mortes. A pesquisa considerou também os sistemas de previsão do tempo e os principais modelos atmosféricos utilizados pelos centros de previsão meteorológica para saber se as ferramentas utilizadas hoje prevêem com eficácia a possibilidade de ocorrência destes fenômenos extremos.
O estudo teve como base, segundo o pesquisador, a realização de um levantamento de dados sobre as precipitações diárias ocorridas em todo o estado de São Paulo de 1979 a 2010. As informações, disponibilizadas online pelo Climate Prediction Center, ligado ao National Weather Service, dos Estados Unidos, ajudaram o pesquisador a verificar as regiões do estado e quais os meses do ano em que há maior ocorrência de eventos extremos. “Esses fenômenos estão ligados à proximidade de regiões montanhosas e a uma maior influência da brisa marítima, em virtude da vizinhança com o Oceano Atlântico e a orientação da costa paulista”, explica Santos. “Os fenômenos ocorrem especialmente entre janeiro e março e as áreas mais afetadas são o nordeste de São Paulo, região serrana, próxima à cidade de Franca, e as regiões litorâneas.”
Tendo como base este mapeamento, a Defesa Civil pode dar mais prioridade na proteção destas regiões nos meses mais suscetíveis, mapeando as áreas de risco nas regiões afetadas e sendo capaz de mover as populações em caso de risco iminente. Segundo o pesquisador, o mapeamento desenvolvido em suas pesquisas pode ser utilizado por centros meteorológicos de previsão do tempo e do clima do estado de São Paulo.
Utilizando três sub-modelos, acoplados a um modelo regional de previsão do tempo (as chamadas parametrizações) para verificar qual seria o mais eficiente para previsões de precipitações extremas, a pesquisa trouxe, além da questão social que a permeia, uma discussão sobre a previsão do tempo “Essa pesquisa tem grande valor para a meteorologia operacional, já que ajuda os centros a saberem qual parametrização é melhor para prognosticar os eventos”, explica. “Isso torna as previsões do tempo muito mais eficientes.”