ISSN 2359-5191

21/03/2001 - Ano: 34 - Edição Nº: 01 - Meio Ambiente - Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
IAG mapeia lençóis d’água contaminados pelo lixo

São Paulo (AUN - USP) - O problema do lixo normalmente é abordado apenas do ponto de vista do excesso de detritos, falta de locais para depósito e necessidade de reciclagem. Mas a questão vai além. E é isso que mostra a pesquisa coordenada pelo Professor Vagner Roberto Elis, do departamento de Geociências, do Instituto Astronômico e Geofísico da USP, que tem como objetivo mapear as áreas cujo solo e lençóis d’água subterrâneos foram contaminados pelos poluentes provenientes de lixões.

Existe uma diferença entre lixões, aterros sanitários e aterros controlados. Os lixões são apenas locais de depósito, sem tratamento dos dejetos e contenção de resíduos. Já os aterros sanitários são construídos em áreas previamente estudadas, onde o solo é menos propício à contaminação e o xorume (líquido resultante da decomposição do lixo) é drenado. Os aterros controlados são um meio termo entre os lixões e os aterros sanitários, pois existe a preocupação em cobrir o lixo diariamente e drenar o xorume, porém o solo não é impermeabilizado.

No Brasil, a maior parte do lixo se encontra depositada em lixões. Segundo dados de 95, 76% dos detritos brasileiros estão em lixões a céu aberto, 13% em aterros controlados, 10% em aterros sanitários e 1% em usinas de compostagem e incineração.

Os resíduos depositados em lixões são os que mais trazem problemas ao meio ambiente. A conseqüência mais grave desse armazenamento mal planejado do lixo é a contaminação das águas subterrâneas. Isso acontece quando o depósito se encontra sobre solo permeável, que deixa o xorume penetrar até chegar aos lençóis freáticos. O fluxo das águas acaba espalhando a poluição por uma área muito maior, o que agrava ainda mais o problema.

Na pesquisa do Professor Vagner Elis, intitulada Aplicação de Métodos Geofísicos na Caracterização de Áreas de Disposição de Resíduos, são usadas as propriedades elétricas dos compostos para determinar quais os locais poluídos. O método funciona da seguinte forma: os corpos geológicos em geral são maus condutores de energia elétrica. Porém, o lixo tem uma grande quantidade de sal que, quando entra em contato com a água, forma eletrólitos (íons). "E esse eletrólitos são facilmente mapeáveis" – explica o professor.

O projeto teve início em 1995, quando foram estudados lixões em Cuiabá (MT) e Ribeirão Preto (SP). Esse último é de maior importância, por estar situado exatamente sobre o Aqüífero Guarani, lençol freático que possui mais água que todos os rios do mundo. A pesquisa já caracterizou a contaminação e agora está entrando em uma nova fase, prevista para terminar em setembro do ano que vem. O objetivo agora é coletar dados para mapear o nível de xorume no lixo e testar uma nova técnica para localizar corpos metálicos em meio aos detritos.

A grande importância de indicar quais as áreas contaminadas é que, a partir desses dados, os governos podem tomar providências para a recuperação dos locais. A prefeitura de Ribeirão Preto, tomou conhecimento do problema e está estudando medidas para sua solução, já que grande parte da água que abastece a cidade vem de lençóis subterrâneos.

Leia também...
Agência Universitária de Notícias

ISSN 2359-5191

Universidade de São Paulo
Vice-Reitor: Vahan Agopyan
Escola de Comunicações e Artes
Departamento de Jornalismo e Editoração
Chefe Suplente: Ciro Marcondes Filho
Professores Responsáveis
Repórteres
Alunos do curso de Jornalismo da ECA/USP
Editora de Conteúdo
Web Designer
Contato: aun@usp.br