São Paulo (AUN - USP) - A recuperação dos pacientes internados em um hospital pode ser mais eficaz de acordo com a abordagem da equipe de enfermagem. Apesar de saberem disso por experiência in loco, os profissionais da área que trabalham na emergência do Hospital das Clínicas (HC) não conseguem conversar adequadamente com os pacientes por falta de mais funcionários.
Segundo pesquisa da Escola de Enfermagem da USP, 100% da equipe de enfermagem que foi entrevistada sabe da importância da comunicação adequada para recuperação mais rápida dos pacientes. Porém, devido à grande demanda de atendimento, não podem acompanhá-los da forma necessária. “Você vê que tem um chorando num canto, querendo só conversar. Mas nós não temos tempo de conversar com o paciente. No pronto-socorro, cinco minutos é uma vida, ou duas”, relata um dos entrevistados da pesquisa.
Para Roberta Brito, aluna do terceiro ano e autora da pesquisa, o quadro é angustiante: “A situação é difícil de ser mudada, não podemos contratar mais gente. Apesar disso, sinto-me motivada a tentar fazer a diferença na profissão, nem que seja falar com um paciente a cada dia”, declara esperançosa.
A professora Maria Julia Paes Silva reitera a importância da comunicação. “Quando vamos ao médico dizemos que ele é bom porque ele nos ouviu”, comenta. “A comunicação cria um vínculo de confiança entre o profissional e o paciente, além de humanizar o atendimento”.
No HC, existem cerca de 100 enfermeiros para atender a uma média de 600 a 800 pacientes por dia. O hospital, mantido com verbas provenientes majoritariamente do SUS e do governo estadual, funciona supervisionado pela USP. Segundo sua assessoria, as verbas são suficientes para o hospital funcionar, o que não acontece com a maior parte dos outros hospitais universitários do país, que não recebem recursos do governo. No pronto socorro do HC, não há, no entanto, enfermaria e os pacientes são atendidos em macas, segundo Roberta Brito.
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