ISSN 2359-5191

04/10/2013 - Ano: 46 - Edição Nº: 76 - Saúde - Escola de Enfermagem
Participação paterna na amamentação do filho é importante para interação familiar

A participação de pais no processo de aleitamento de seus filhos é importante para possibilitar interações significativas com o bebê, reiterar laços afetivos e conjugais, e construir um ambiente doméstico colaborativo. É o que afirma a pesquisa da Escola de Enfermagem (EE) da USP A posição do homem no processo de amamentação: um ensaio sobre a produção de sentidos. De acordo com a pesquisadora Tereza Lais Menegucci Zutin “acompanhar o processo de amamentação do filho representa uma experiência marcante, seja pelo significado que a vivência de estar junto da mulher e do filho traz, seja pela necessidade de aprendizado e de superação de dificuldades que possa se apresentar para cada um deles.

Após desenvolver diversas atividades com gestantes, Tereza percebeu a dimensão que a amamentação assume no dia a dia dessas mulheres e recebeu queixas sobre a ausência do homem durante essa fase, fatores que a motivaram para desenvolver o estudo. Assim, com o objetivo de entender e descrever o processo de produção de sentidos no homem sobre sua participação no aleitamento do filho, Tereza entrevistou sete pais de bebês nascidos na Associação Feminina de Marília – Maternidade Gota de Leite, no município de Marília.

Os pais responderam perguntas sobre dados sociodemográficos e posteriormente foram questionados sobre a experiência de vivenciar o processo de amamentação dos filhos. De acordo com a pesquisadora, os homens reconhecem a importância da sua presença física e do apoio emocional no cotidiano da família. “Seu papel fica ampliado como parceiro que propicia a mulher ter a condição de cumprir as obrigações como nutriz”, explica. “Para isso ele tem que ter o papel de pai, estar sempre colaborando com a esposa, com a família, estar participando e contribuindo com a esposa“. A pesquisa também identifica que o pai presente desenvolve uma relação positiva com o filho, uma vez que as possibilidades de vinculação dos homens com os bebês são limitadas por meio do processo de alimentação.

Tereza afirma que, embora a amamentação seja um meio de interação familiar e de reconhecimento da figura paterna para além da ideia de homem provedor, alguns pais ainda resistem: “Ainda resta na perspectiva de alguns, uma possível ‘brecha’ de ausência ou distanciamento circunstancial. A pesquisa identificou a existência de pais que não se percebem fazendo parte desse contexto, referindo ser uma tarefa exclusiva da mãe”, diz. “Isto corresponde a uma estrutura social mais tradicional e pelo menos um dos homens se sente não tão participativo”.

As entrevistas também apontam que, se por um lado a amamentação interfere positivamente no relacionamento do casal com aproximação, parceria e intimidade, por outro ela representa um obstáculo à intimidade do mesmo na concepção de alguns homens. Mas, segundo a pesquisadora, “ainda que haja sentimentos de exclusão ou de perda da companhia da sua parceira conjugal, sobressai na experiência dos homens o sentimento de integração e valorização da sua presença no processo de amamentação.”

A pesquisa chama atenção para uma transformação no papel masculino ao incorporá-lo em situações familiares que ele não reconhecia devido às pressões sociais. Hoje ainda é imposta à mulher uma excessiva carga de responsabilidade com a família, e há a necessidade de olhar para a experiência dos homens, bem como prepará-los para a paternidade e para a sua participação na construção do ambiente doméstico colaborativo. “Coadjuvar o processo de amamentação significa um marco na vida do homem. Por isso, discutir aspectos relacionados à amamentação e ter subsídios para reconhecer e minimizar suas dúvidas e inquietudes podem ajudá-lo a ter melhores condições para apoiar sua companheira”.

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