Pesquisa da Escola de Enfermagem (EE) da USP aponta que 65% dos pacientes com câncer de mama estudados apresentaram aumento de esperança durante tratamento quimioterápico. A esperança é definida pela pesquisa como “uma força dinâmica multidimensional da vida caracterizada por uma expectativa confiável, contudo incerta, de conseguir um bom futuro que, para a pessoa que espera, é realmente possível e significativo”, e de acordo com a autora da tese, Alessandra Cristina Sartore Balsanelli, os principais fatores que influenciaram seu aumento foram a autoestima e o estado geral da paciente.
A pesquisa foi motivada pela experiência de Alessandra, que atua há 11 anos na área de oncologia, onde percebeu diferenças nos estímulos e na esperança das pacientes. “Na prática pude perceber que alguns pacientes apresentavam uma motivação, uma alegria maior que outros. A partir daí iniciei meus estudos”, diz.
Foram entrevistadas no Hospital Pérola Byington – Centro de Referência da Saúde da Mulher – 122 mulheres que passavam pelo primeiro tratamento quimioterápico, com média de 50 anos e conscientes do diagnóstico. Houve dois momentos distintos de entrevista, divididos entre o primeiro ciclo e último ciclo da quimioterapia, em que foram investigados os dados sociodemográficos, clínicos, esperança, auto-estima, ansiedade, depressão, enfrentamento, religiosidade e fadiga. Foi utilizada a Escala de Esperança de Herth, criada pela enfermeira norte-americana Kaye Herth, para avaliar a esperança das pacientes e a quantificar em um número. A escala é composta por 12 frases e cada resposta para elas varia de 1 a 4, sendo 1 discordo completamente e 4 concordo completamente, com exceção das frases 3 e 6, que apresentam escores invertidos, isto é, o discordo completamente vale 4 e concordo completamente vale 1. O escore final varia de 12 a 48 e quanto maior o valor, maior a esperança.
Os resultados finais apontam que, mesmo ao enfrentar o câncer e o tratamento quimioterápico, as mulheres evoluem e apresentam melhora da autoestima e diminuição da depressão. A esperança aumentou em 65% das pacientes e, segundo as análises, ela atua diretamente no estado geral das mulheres. Quanto maior a esperança, menor é a depressão no final do tratamento e maior a autoestima.
A pesquisa também apresenta que os principais fatores que diminuem a esperança nas mulheres que enfrentam o câncer de mama são o intervalo de tempo entre a descoberta da doença e o início do tratamento, a depressão e a presença de dor. “As pacientes que sentiam dor na mama no início, terminaram o tratamento com menos esperança do que as que não sentiam”, diz Alessandra.
De acordo com a pesquisadora, o estudo contribuiu de forma significativa para o conhecimento na prática clínica de pacientes com câncer. Ao apresentar resultados inéditos, ele permite compreender os fatores que podem influenciar na esperança e implementar melhor qualidade na assistência de enfermagem. “Estimular a autoestima, diminuir o sentimento de incapacidade e atuar no controle da dor são estratégias que auxiliam o paciente no enfrentamento da doença. A enfermagem pode prover oportunidades para que as pessoas reconheçam que são amadas, cuidadas e importantes na vida dos outros, independente da sua doença.”