ISSN 2359-5191

31/10/2013 - Ano: 46 - Edição Nº: 90 - Economia e Política - Instituto de Relações Internacionais
Pesquisa aponta para flexibilidade na resolução de crises
Cartazes em protesto na Espanha contra cortes econômicos e de serviços públicos/fonte: Wikimedia Commons

A crise da União Europeia precisa ser resolvida não apenas entre os líderes políticos, mas também na sociedade em si. Ao contrário do que tem sido feito, dar mais importância às circunstâncias locais que às estruturas governamentais pode ser mais efetivo. Isso se dá pelo fator da complexidade de um sistema social como o das políticas internacionais, em que não há uma solução definitiva para os problemas e, portanto, geara busca por um sistema flexível e adaptável.

Ao contrário disso, a União Europeia está fazendo as perguntas erradas, porque só enxerga uma ou duas variáveis e não as muitas existentes. Isso resulta no fato de que ela acaba apenas reagindo, não agindo.

Esses fatos são estudados e analisados pela pesquisa Processos Políticos Complexos - Adaptativos: Auto-Organização Como Uma Maneira de Lidar com Incertezas e Mudanças nas Políticas Internacionais, que está sendo realizada pelo professor do Instituto de Relações Internacionais (IRI/USP) Kai Enno Lehmann.

Perguntando-se como é possível construir um processo político que possa se adaptar à imprevisibilidade, a visões diferentes – que são irreconciliáveis, em muitos casos – sem criar desordem; um processo político com objetivos claros, mas flexível, o professor tenta buscar as perguntas certas, olhando para as variáveis. “Quais são as perguntas que permitiriam mudanças sem criar caos?”

“Então, a pesquisa é baseada nessas três perguntas. União Europeia: qual é o problema (what); O que isso significa, e aí (so what); e agora (now what)?”, afirma Lehmann. Mediante a complexidade e as diferenças de perspectivas de pessoas e Estados, ele prioriza desenvolver cenários, utilizando metodologias qualitativas, em vez de soluções.

Com isso, até o momento atual, o pesquisador chegou a quatro conclusões. A primeira é que não se tem a menor ideia das consequências que serão geradas a longo-prazo, algo em torno de uns 20, 30 anos, pelas políticas de austeridade implementadas pela União Europeia.

A segunda é que ela está de fato apenas reagindo, não agindo. “Está olhando: há gastos, cortamos gastos. E aí?”, analisa Lehmann.

Em terceiro lugar, o pesquisador acredita que a União Europeia está fazendo as perguntas erradas, uma vez que não olha para as muitas variáveis existentes em meio à complexidade das questões.

Em quarto, a grande diferença se desenvolverá não somente entre líderes políticos, mas na sociedade em si. Então, é preciso focar muito mais nas circunstâncias locais nas quais se age em vez da estrutura governamental. “No Iraque destruíram-se os sistemas governamentais antigos que existiam e instalaram um governo central, mas ele não tinha a mínima capacidade de governar o país. O que deveria ter sido feito é assegurar governabilidade num nível local, não num nível central. O problema é que governantes pensam top-down (de cima para baixo) ao invés de bottom-up (de baixo para cima).”

“Tradicionalmente, em tempos de crise, o poder se centraliza em torno dos líderes, que usam essa centralização de poder para definir objetivos políticos supostamente simples e atendíveis – ou seja, que eventualmente vão atingir um ponto final desejável. E isso não está dando certo. ”A flexibilização do processo político é a melhor estratégia."

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